Divulgado testemunho que Mark Zuckerberg vai ler quarta-feira no Senado

O fundador do Facebook vai ser ouvido dia 11 na comissão parlamentar do Congresso na sequência do escândalo Cambridge Analytica. Saiba o que ele vai dizer

É apenas na quarta-feira, dia 11, que Mark Zuckerberg vai ser ouvido pela comissão parlamentar do Congresso dos Estados Unidos sobre o uso de dados privados de forma indevida pela Cambridge Analytica para questões políticas, que tem sujado a imagem do Facebook.

Apesar da audiência ainda não se ter realizado, o CEO da rede social já apresentou o seu depoimento, que foi esta segunda-feira liberado pelo Comité de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados dos EUA e que poderá ser lido na integra aqui.

Depois de ler o testemunho, Zuckerberg responderá a perguntas dos parlamentares.

O mais importante é o facto de Zuckerberg admitir que não foi feito o suficiente no que diz respeito à salvaguarda das privacidades dos utilizadores da rede social.

"Está claro que não fizemos o suficiente para evitar que ferramentas nossas fossem usadas também para causar danos. Isso vale para notícias falsas, interferência estrangeira em eleições e discursos de ódio, bem como a proteção da privacidade de dados."

Por não ter conseguido antever os ataques, o fundador do Facebook pede publicamente desculpas.

Não tivemos uma visão ampla da nossa responsabilidade, e isso foi um grande erro. Foi meu erro e sinto muito.

Zuckerberg também foi convidado a comparecer perante uma audiência conjunta dos Comités de Justiça e Comércio do Senado dos EUA esta terça-feira.

O escândalo Cambridge Analytica

A Cambridge Analytica usou um dispositivo do próprio Facebook - entretanto já desativado - para explorar dados de 87 milhões de utilizadores da rede social. Só em Portugal estima-se que a privacidade de 63 mil tenha sido violada.

A empresa de marketing digital usou essas informações para construir algoritmos capazes de traçar o comportamento eleitoral de norte-americanos durante a campanha presidencial de 2016.

Assim, esta falha de privacidade do Facebook terá ajudado Donald Trump a ser eleito nos EUA e o sim ao Brexit a vencer em Inglaterra.

Depois do escândalo, o CEO é perentório:

"Não basta apenas conectar pessoas, temos que garantir que essas conexões sejam positivas. Não basta só dar voz às pessoas, precisamos garantir que as pessoas não as usem para prejudicar as outras ou divulgar informações erradas. Não é o suficiente dar às pessoas o controle de suas informações. Temos que garantir que os desenvolvedores também protegem essas informações."

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Patrícia Viegas

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Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.