Deputados acusam Facebook de ameaçar jornal The Guardian

Foi o jornal britânico que revelou que a Cambridge Analytica teve acesso indevido aos dados privados dos utilizadores para ajudar a campanha eleitoral de Donald Trump

Deputados do Parlamento britânico acusaram, esta quinta-feira, a rede social Facebook de ter "assediado e ameaçado" o jornal The Guardian, que revelou o escândalo do acesso indevido da empresa Cambridge Analytica a dados de 87 milhões de utilizadores desta plataforma.

O diretor de tecnologia do Facebook, Mike Schroepfer, foi hoje ouvido pela comissão parlamentar de "Digital, Cultura, Meios de Comunicação e Desporto", no âmbito do inquérito sobre a proteção que a rede social dava aos dados e à privacidade dos seus clientes.

Mike Schroepfer foi questionado sobre as ameaças do Facebook ao jornal britânico após a publicação de que informações de 87 milhões de utilizadores teriam sido usadas, sem o seu consentimento, pela consultora britânica Cambridge Analytica para ajudar a campanha eleitoral do Presidente norte-americano, Donald Trump, e do Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia].

"Sinto que os jornalistas pensaram que estávamos a impedir que eles trouxessem à luz a verdade", respondeu Schroepfer, reconhecendo que foi "um erro" não informar "no momento" em que se aperceberam que os dados tinham sido usados de forma indevida.

O diretor de tecnologia da empresa norte-americana admitiu que o Facebook desconhecia "até recentemente" que um trabalhador da rede social era também funcionário de Aleksandr Kogan, professor da Universidade de Cambridge que, segundo Mark Zuckerberg, foi responsável pela situação, pois concebeu o programa que coligia as informações.

Além disso, revelou que "ninguém no Facebook" leu os "termos e condições" que Kogan estabelecia na sua aplicação, uma afirmação que causou perplexidade entre os parlamentares.

"Você é responsável pela tecnologia, como podia não saber?", questionou um deles.

O presidente da comissão, Damian Collins, acusou o Facebook de ter ferramentas na sua plataforma mais direcionadas para os interesses publicitários do que focadas em "trabalhar para os utilizadores".

Schroepfer prometeu que a "propaganda política" será muito mais "transparente" no futuro, mas disse que "neste momento" não é possível que os utilizadores se libertem completamente desses anúncios.

Os deputados britânicos pediram, no mês passado, para ouvir o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, na comissão, mas este declinou a audição.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.