Cooked: a história da humanidade contada na cozinha

Documentário baseado no livro do jornalista Michael Pollan é a mais recente aposta de não ficção da plataforma de streaming Netflix

Nem só de séries e filmes se faz a Netflix. E se, quatro meses depois da chegada da plataforma a Portugal, os formatos mais procurados são produtos de ficção como Narcos, Demolidor, Grace and Frankie, Sense8 ou Better Call Saul, há mais de uma centena de documentários para descobrir.

Cooked, que chegou à Netflix na semana passada, é o mais recente documentário de produção própria da plataforma. Baseado no best-seller homónimo do jornalista norte-americano Michael Pollan, a série de quatro episódios (cada um subordinado a um dos elementos naturais, fogo, água, ar e terra) explora a história da transformação dos alimentos, em paralelo com a evolução da humanidade.

Realizada e coproduzida por Alex Gibney (autor do polémico Going Clear, sobre os bastidores da igreja da cientologia, também disponível na Netflix, e vencedor do Óscar para melhor documentário em 2007, por Taxi to the Dark Side), Cooked é uma viagem através do tempo, em busca das mais ancestrais técnicas de transformação de alimentos.

Da Austrália à Índia, passando pelo Peru, o formato dá a conhecer rituais antigos de preparação dos alimentos, alguns ainda usados, como se pode ver no primeiro episódio, que acompanha um grupo de aborígenes a fazer uma queimada para capturar lagartos. "Uma das coisas de que mais gosto nesta série é que tem um ângulo. Não é uma visão generalizada da evolução da gastronomia, mas sim o ponto de vista do Michael Pollan", afirma Gibney.

Um sucesso imprevisível

O investimento na produção de documentários (ver coluna da direita), embora recente, já tem dado frutos, não só em termos de popularidade mas também de reconhecimento. What Happened, Miss Simone?, realizado por Liz Garbus, e Winter on Fire: Ukraine"s Fight for Freedom, de Evgeny Afineevsky (ambos disponíveis na Netflix portuguesa), estão nomeados para um Óscar na categoria de melhor documentário.

Amanhã saber-se-á se vencem a concorrência, composta por Amy, sobre a vida da malograda cantora britânica Amy Winehouse, Cartel Land, produzido por Matthew Heineman e que retrata a guerra contra o narcotráfico no México, e O Olhar do Silêncio, documentário dinamarquês de Joshua Oppenheimer que recorda os massacres na década de 1960 na Indonésia. Nas últimas duas edições dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a Netflix também arrecadou nomeações na mesma categoria, com The Square (2013) e Virunga (2014).

Em entrevista recente ao site Recode, Reed Hastings, cofundador e CEO da Netflix, admitiu que "demorou algum tempo a desenvolver a linha" de documentários da plataforma de streaming. "Making a Murderer, que está a gerar bastante discussão, não foi o nosso primeiro documentário", destacou.

Sobre o sucesso que o documentário sobre o caso de Steven Avery está a ter, Hastings admitiu na mesma entrevista que não tinha a mínima ideia do impacto que Making a Murderer iria ter. "As realizadoras [Laura Ricciardi and Moira Demos] estavam a trabalhar neste tema há dez anos. Reuni-me com elas provavelmente há dois anos. Não consegui prever o que iria acontecer. Pensei "isto vão ser oito a dez horas sobre um assassino? Espero que ganhe alguns prémios porque popular não vai ser"", admitiu o responsável da Netflix. "Tornou-se um fenómeno fantástico, de culto. Fiquei absolutamente surpreendido", acrescentou ainda Reed Hastings.

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