Cofundador do WhatsApp apela ao "delete" do Facebook

A aplicação foi comprada pela empresa de Mark Zuckerberg em 2014

A polémica em torno do Facebook ganhou uma nova dimensão depois do cofundador da WhatsApp, Brian Acton, se ter juntado ao pedido para que os utilizadores apaguem as suas contas. Acton usou a hashtag #DeleteFacebook em reação às notícias que dão conta que uma empresa com sede no Reino Unido - a Cambridge Analytica - usou indevidamente informação do Facebook para ajudar o candidato republicano Donald Trump a ganhar as presidenciais norte-americanas em 2016. A empresa é acusada de usar a informação de mais de 50 milhões de utilizadores, embora negue qualquer utilização indevida.

Brian Acton partilhou a hashtag com a frase: "Está na hora", uma reação surpreendente tendo em conta que a plataforma Whatsapp foi comprada pelo Facebook em 2014.

Entretanto, vários meios de comunicação têm publicado artigos a explicar como apagar a conta do Facebook permanentemente.


A reação de Acton surpreendeu os investidores e as ações da empresa caíram mais de 9% nos últimos dois dias.

A Comissão Federal do Comércio, dos EUA, já abriu uma investigação ao Facebook que poderá implicar uma multa milionária, perante as suspeitas de que a plataforma facilitou informação relativa aos 50 milhões de utilizadores.

Segundo a imprensa britânica, a empresa de análise de dados, que colaborou com a equipa de Trump durante a campanha eleitoral para as presidenciais de 2016, usou aquela informação para desenvolver um programa informático destinado a influenciar as decisões dos votantes.

A Cambridge Analytica tem entre os seus investidores o chefe da campanha eleitoral de Trump em 2016 e posteriormente assessor deste na Casa Branca, até se demitir, Steve Bannon.

O Facebook já rejeitou as alegações, mas o facto de a Cambridge Analytica ter admitido que teve acesso a informação de milhões de utilizadores daquela rede social implica uma de duas: ou o Facebook sofreu um roubo de informação ou violou as suas regras e facilitou os seus arquivos a terceiros, conclui o jornalista Rafael Salido, da agência Efe.

Em 2011, o Facebook comprometeu-se a solicitar o consentimento dos seus utilizadores antes de fazer determinadas alterações nas preferências de privacidade daqueles, como parte de um acordo com o Estado, que então a acusava de abusar dos consumidores, ao partilhar com terceiros informação não autorizada.

Por este motivo, a suspeita de que a rede social pode ter facilitado esta informação à Cambridge Analytica pressuporia que o Facebook violou o acordo, do que poderia resultar uma multa diária de 40 mil dólares (33 mil euros) diários por cada violação, como informou hoje a Bloomberg.

Esta possibilidade, bem como a perda de atração das ações Facebook, tiveram nos últimos dois dias um claro reflexo em Wall Street, com desvalorizações de quase 7% na segunda-feira e mais 2,56% hoje.

Estas não são as únicas preocupações de Mark Zuckerberg, que foi alvo de pedidos de audição por parte no Senado dos EUA e dos parlamentos Europeu e britânico.

Acresce que, segundo o The New York Times, o chefe de segurança da Facebook, Alex Stamos, anunciou a sua saída do cargo, devido a desacordos internos sobre como a rede social se deve posicionar perante a difusão de informações falsas.

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Nuno Artur Silva

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