TSF muda de casa ao fim de 18 anos para "fazer mais e melhor"

Arsénio Reis, diretor da estação, e Alberto Santos, diretor técnico, referem que o salto da redação para as Torres de Lisboa lhe vai oferecer "meios que permitem reafirmar os seus valores naturais", sendo "a palavra sempre soberana"

Luís Alves Vicente
Arsénio Reis (à dir.), diretor da TSF, e Alberto Santos, coordenador da transição de instalações, prometem que a rádio “não mudará a sua informação, apenas a forma de a dar”© 

"Altamente positivo." É assim que o diretor da TSF, Arsénio Reis, caracteriza o seu estado de espírito, a poucas horas do derradeiro noticiário feito a partir dos estúdios da Matinha, onde a rádio esteve nos últimos 18 anos, à uma da manhã da madrugada de domingo. O noticiário seguinte, às 02.00, já será nas novas instalações, nas Torres de Lisboa, onde se encontram os restantes títulos do Global Media Group, e representa "uma mudança de condições para fazer mais e melhor". A TSF deixa para trás, e com pouco espaço para "angústias saudosistas", umas instalações "com algumas coisas muito gastas e no limite, até obsoletas comparando com o se pratica hoje" em rádio, reitera Reis ao DN.

"Vamos mostrar alguma inovação. Que a rádio mudou. Nós não mudamos a informação mas mudamos a forma como a damos", assegura Alberto Santos, diretor técnico da estação informativa e responsável pela transição de "casa". Santos sublinha ainda que "os meios ajudam bastante mas a palavra continua a ser soberana".

As novas tecnologias são, para ambos, um passo importante para um reforço na identidade da marca TSF, em que a palavra continua a formar o seu núcleo. "A todos nos congratula o facto de a rádio não ter perdido coisas tão essenciais, como o seu ADN. Queremos continuar a ser uma rádio de informação. Todos os valores que nos apontam são aqueles que queremos ter: rigor, credibilidade e competência", sublinha Reis, que vê, a partir de agora, uma TSF com "meios para reafirmar aqueles que são os seus valores naturais".

A mudança, de resto, não é alheia a Alberto Santos, que acompanhou a instalação da TSF nas Amoreiras, a ida para a Avenida de Ceuta, a locação na Matinha, e, agora, a nova morada nas Torres de Lisboa. "Esta é a mais difícil de superar, também pela alteração de instalações estar sob a minha responsabilidade. Se as coisas correrem mal, terei de assumir o erro."

Uma transição perfeita, aos olhos do diretor técnico, traduz-se na normalidade da emissão: "O ideal é que não se perceba que a mudança está a acontecer. Espero que os ouvintes estejam confortáveis e com capacidade de acreditar que, se algo acontecer [na atualidade], nós vamos lá estar independentemente das condições."

Santos estabelece um paralelo para abordar a mudança de "casa". "Quando mudamos emissão entre Lisboa e Porto, sabemos que quando deixamos uma voltamos à outra, onde tudo se encontra como estava antes. Neste caso, fazemos a ligação a uma nova delegação - futura e definitiva - e sabemos que não vamos retomar, não há ponto de retorno."

Com a chegada de 2017 à porta, e depois de quase duas décadas no mesmo endereço, Arsénio Reis, desprendido do passado, fala num "balanço feito para parar um bocado e perceber como é que se pode fazer melhor a seguir, não parar para ter ataques de saudosismo", atira.

O próximo ano é visto com "um caminho natural", porque existe a "consciência de que tinha de acontecer uma de duas coisas ao fim de 18 anos", explica o diretor da TSF. E enumera-as: "Melhorar o sítio onde estávamos, desde a forma como estávamos organizados à forma como se geria a própria redação, o nível de equipamento que tínhamos e a forma como os estúdios estavam organizados. Ou então tínhamos de mudar."

Para o diretor da TSF, a ida para as novas instalações - que contemplam as redações de Diário de Notícias, Delas, Notícias Magazine, Evasões, Motor 24 e Volta ao Mundo, e as delegações lisboetas do Jornal de Notícias e d"O Jogo - "vai agilizar, melhorar e refrescar a forma como o resto do grupo e a própria TSF se geriam. Vai ser altamente facilitador, para futuras sinergias e projetos transversais", conta.

Quando o relógio marcar a uma da manhã da madrugada deste domingo, a equipa na Matinha, que no total soma mais de cem elementos, irá escrever mais um capítulo na história da TSF, com o último noticiário naquele espaço. Depois, a emissão será passada para o animador de serviço da madrugada, que já vai estar nas Torres de Lisboa, juntamente com o jornalista destacado para apresentar o primeiro bloco de notícias no edifício que concentra os títulos do Global Media Group. Presente para testemunhar o acontecimento estará grande parte da direção da TSF.