TSF: em 30 anos tudo mudou, menos "o rigor e a credibilidade"

Rádio nasceu em 1988 e comemora a data com emissões fora da redação: ontem na Praça do Comércio, em Lisboa, e hoje na Praça da Estação de Metro da Trindade, no Porto

Ana Bela Ferreira
Emissão esteve à vista de todos na Praça do Comércio© Álvaro Isidoro / Global Imagens

Dois dias de emissões ao vivo em Lisboa e Porto assinalam os 30 anos da TSF. A rádio de notícias do grupo Global Media, do qual faz parte também o Diário de Notícias, esteve ontem em Lisboa, no centro da Praça do Comércio, à vista dos milhares que cruzam diariamente a praça mais importante da capital. A chuva foi um entrave a que os curiosos se fixassem por algum tempo, mas muitos passaram em frente ao improvisado estúdio instalado na praça e onde decorreu toda a emissão entre as 08.00 e as 23.00. Hoje, será o Porto a poder ver de perto quem são os rostos por detrás do microfone, na Praça da Estação de Metro da Trindade.

A redação, que habitualmente está nas Torres de Lisboa, vai estar nestes dois dias concentrada num contentor. O DN assistiu a uma parte do Fórum, durante a manhã. Uma emissão onde é preciso gerir os barulhos da rua com os momentos que passam gravações. Altura em que o próprio Manuel Acácio, que conduz o Fórum (ver entrevista), aproveita para descontrair ou preparar os momentos seguintes de um programa que ocupa diariamente duas horas da emissão.

Ontem, participaram por gravação, o Presidente da República, e presencialmente o presidente da Assembleia da República. Marcelo Rebelo de Sousa fez uma "avaliação positiva" do país nos últimos anos e pediu aos portugueses que "de uma forma crítica, de uma forma independente, de uma forma livre, sejam despertos, nunca se deixem adormecer, nem desiludir, nem distanciar". Já Eduardo Ferro Rodrigues destacou o papel "revolucionário" da TSF na história portuguesa. E lembrou que "o mundo está a mudar e o sistema político tem de mudar também".

Hoje, será o diretor da TSF, Arsénio Reis o convidado do Fórum, que vai ser emitido ao vivo a partir do Porto. Ao DN, Arsénio Reis falou deste aniversário: "Aquilo que queremos que a marca signifique não mudou: o rigor, credibilidade e enorme esforço de serviço público, de utilidade para a vida do dia-a-dia das pessoas, pode ser o lema dos 300 anos ou dos próximos 30 anos da TSF."

O responsável não esquece as mudanças - "o que mudou e está a mudar de forma acelerada é a forma como as pessoas nos ouvem, em suportes que não são os tradicionais, já não é só o carro, são os telemóveis e os computadores" - mas admite que a raiz do que é a rádio não mudou. "As características da informação a toda a hora, a credibilidade, o rigor e a utilidade pública, essas não queremos que mudem."

Arsénio Reis, diretor da TSF desde julho de 2016, rejeita ainda a ideia de que a rádio foi ultrapassada pela internet ou que falta interesse por parte do público. "Ao contrário do que as pessoas dizem, o jornalismo não morreu e os conteúdos são fundamentais para as pessoas. Não me parece que isso vá desaparecer". Admitiu, no entanto, que a comunicação social, em particular a rádio, está "perante um desafio imenso que é a digitalização da nossa vida e as mudanças de forma acelerada como fazemos tudo: como despertamos, falamos ao telemóvel e consumimos, em geral".

Desafios que serão ultrapassados, sem dúvida para o diretor da rádio, por "quem faz bem e bem feito, como a TSF". Arsénio Reis acrescenta que "foi feito um esforço nos últimos 30 anos para dar essa credibilidade à TSF, uma missão que acho que conseguimos, e é isso que queremos para o futuro".