Alec Baldwin é Trump na televisão

Ator de 58 anos convidado para parodiar candidato republicano às eleições presidenciais no programa "Saturday Night Live". Saiba que opinião tem Alec Baldwin sobre Donald Trump

Faltam 39 dias, dois debates, centenas de ações de campanha e, provavelmente, muita polémica até os norte-americanos escolherem quem será o 45.º presidente do seu país. As movimentações e os jogos de bastidores não se fazem apenas na política, mas também no humor.

A 42.ª temporada do programa de comédia Saturday Night Live (SNL) arranca amanhã e conta com uma nova contratação de peso: Alec Baldwin, que integra o elenco do programa de sketches e variedades criado por Lorne Michaels com uma função muito específica: imitar Donald Trump.

Baldwin, 58 anos, já foi anfitrião do SNL 16 vezes, um recorde que ainda não foi quebrado. O ator já não é um estranho nos corredores do estúdio 8H do edifício ComCast, em Nova Iorque, onde se situa a sede da NBC, canal que transmite o formato de humor.

Neste sábado, de acordo com as imagens já divulgadas no YouTube, Baldwin irá já apresentar-se ao serviço num sketch que vai recriar o momento político mais importante desta semana: o primeiro frente-a-frente entre Donald Trump e Hillary Clinton. O ator vai confrontar-se com a versão de Kate McKinnon da candidata democrata à presidência dos Estados Unidos. Mckinnon venceu há duas semanas um prémio Emmy pelo seu desempenho no SNL (esta será a sua sexta temporada no elenco do programa).

A escolha de Alec Baldwin para interpretar Trump, fonte inesgotável de ideias para guionistas e atores do setor da comédia, foi feita por Lorne Michaels no verão. O fundador do SNL é amigo pessoal de Baldwin e já tinha trabalhado com o ator na série 30 Rock.

A contratação da estrela de filmes como Caça ao Outubro Vermelho ou O Sombra segue a mesma linha da participação especial de Larry David na temporada passada. O ator e criador de sitcoms como Seinfeld e Curb Your Enthusiasm interpretou o pré-candidato democrata Bernie Sanders naqueles que foram os sketches mais populares da 41.ª temporada do SNL.

E, como nestas ocasiões a realidade tende a misturar-se com a ficção, a imprensa norte-americana recuperou já algumas considerações tecidas recentemente por Alec Baldwin sobre o homem que vai agora imitar. Em junho de 2015, em entrevista ao animador de rádio Howard Stern, o ator teceu elogios ao empresário tornado político, dizendo que "adoraria que Trump fosse escolhido como candidato republicano". "Ele é alguém com uma grande visão reformista para as finanças."

No entanto, em maio deste ano, no programa de Ellen Degeneres, Baldwin afirmou: "Não queremos um presidente que parece que mergulhou em manteiga para pipocas." Um mês depois, em entrevista ao The Telegraph, o ator foi ainda mais contundente, afirmando que Trump é "o primeiro candidato feito de ódio".

Seja qual for a verdadeira intenção de voto de Alec Baldwin, amanhã o veterano de Hollywood encarnará o candidato republicano no programa de humor da NBC. Este papel foi, em temporadas anteriores, interpretado por Darrell Hammond e também por Taran Killam.

A presença da versão satirizada de Donald Trump no longevo programa de humor norte-americano pode arrancar gargalhadas, mas a participação do homem, em carne e osso, no formato foi amplamente criticada.

Em novembro do ano passado, o então pré-candidato republicano às presidenciais foi anfitrião do SNL. A participação foi contestada por vários grupos de representação da população latina e hispânica, que exigiram (sem efeito) que a NBC cancelasse a presença de Trump no programa, devido aos seus comentários pejorativos sobre os emigrantes mexicanos.

Uma petição com 500 mil assinaturas foi entregue aos responsáveis do SNL e um grupo de ativistas denominado Deport Racism (Deportem o Racismo) chegou mesmo a oferecer 5000 dólares (4457 euros) ao membro da audiência que, durante o monólogo de Trump, o chamasse de "racista".

Antes da emissão, o empresário de 70 anos afirmou que tinha sido convidado para ajudar a aumentar as audiências do programa. E, apesar da controvérsia, o episódio que teve Donald Trump como anfitrião registou uma audiência média de 9,3 milhões de telespectadores, o número mais elevado em quatro anos.

A título de comparação, um mês antes, Hillary Clinton fez uma participação especial num sketch do SNL. O programa foi visto por 4,5 milhões de espectadores.

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