A Tarde É Sua. O líder absoluto tem "histórias de vida" no ADN

Fátima Lopes é há cinco anos e meio a anfitriã do talk show da estação de Queluz de Baixo, campeão invicto de audiências. Consegui-lo implica muito trabalho. De pesquisa, por exemplo: cada segmento leva quatro dias a preparar

"O ADN do A Tarde É Sua são as histórias de vida. É um formato feito de testemunhos na primeira pessoa, que é o que, hoje em dia, os telespectadores mais querem", diz Fátima Lopes, enquanto é penteada e maquilhada nos camarins da TVI, antes de descer ao estúdio para mais uma emissão do programa das tardes da estação de Queluz de Baixo. A "normalidade" é outro elemento que a apresentadora faz questão de salientar. "Nós gostamos de sentir que há quem nos entenda, que nos escute, quem seja capaz de falar de igual para igual. Este programa não põe as coisas em patamares diferentes, não põe a apresentadora num patamar diferente do público. Eu sou uma pessoa igual às outras e procuro comunicar dessa forma."

Numa sala contígua ao estúdio, trabalham cerca de 20 pessoas, com um avanço por vezes de uma semana em relação às emissões. A equipa do A Tarde É Sua é liderada por Carlos Moura, editor e braço direito de Fátima. Em média, revela, cada segmento que os telespectadores veem em casa demora "quatro dias" a ser preparado. "Nós centramo-nos essencialmente nas histórias de vida anónimas. Cada uma pode ocupar 20 a 30 páginas porque fazemos literalmente biografias, para a Fátima estar munida com a história da pessoa. Isso implica um trabalho de pesquisa, de entrevista telefónica, presencial, que, depois, é ilustrado com reportagem", explica o editor do programa das tardes da TVI.

A 3 de janeiro de 2011, Fátima Lopes estreava-se na estação de Queluz de Baixo, depois de quase duas décadas na SIC. Júlia Pinheiro fazia o percurso inverso, regressava a Carnaxide, deixando vago o lugar de apresentadora das tardes da TVI, com o fim de As Tardes da Júlia. Quase 1500 emissões depois (o formato celebrou a milionésima emissão em 30 de dezembro de 2014), Fátima é líder absoluta no seu horário. O programa regista um share de 16,9% e uma audiência média de 355 mil telespectadores (a concorrência direta, Grande Tarde, na SIC, fica em segundo, com 11,8% de share e audiência média de 233 mil telespectadores; Agora Nós, na RTP1, tem 11% de share e audiência média de 182 mil telespectadores).

A redação do programa das tardes da TVI recebe, em média, "cem e-mails e cartas por dia", revela Carlos Moura, de cidadãos que querem ver a sua história contada na televisão. Um dos segmentos com maior procura, digamos assim, é a Máquina da Verdade. Às sextas-feiras é quase religioso: as audiências de A Tarde É Sua dão um pulo quando um cidadão anónimo se submete ao teste do polígrafo. "Há um espaço vazio entre as coisas que se podem provar em tribunal e coisas que não se levam à justiça. Como provar a reputação de uma pessoa, por exemplo. Essa necessidade de dizer "eu não traí a minha companheira, eu não roubei os talheres da minha cunhada". São assuntos que não vão para tribunal mas que as pessoas sentem que estão ali "entaladas". Veem no polígrafo uma hipótese de limparem a sua imagem em praça pública", explica Carlos Moura. Além de um trabalho prévio de investigação de cada caso, a equipa do talk show da TVI submete, sempre que necessário, as histórias à aprovação do departamento jurídico da estação. "Evitamos entrar por questões que não são da nossa alçada", explica o editor do programa.

Terapia para saber defender-se

Não é raro sintonizar o televisor na TVI e ver, à tarde, Fátima Lopes de lágrimas nos olhos com um caso mais dramático. Tal como acontecia em anos anteriores, nos vários formatos que apresentou, desde Perdoa-Me, All You Need Is Love até ao talk show das manhãs da SIC entre 2005 e 2010, Fátima (depois renomeado Vida Nova).

Em 22 anos de carreira, Fátima Lopes aprendeu a defender-se do que, por vezes, pode ser uma exposição demasiado avassaladora aos problemas dos seus convidados. Embora, como faz questão de frisar, faça as entrevistas "com profissionalismo, mas com o coração". "Procuro quem me ajude, quem me escute, quem me dê ferramentas e esse é um trabalho bastante importante. Os psicólogos também têm psicólogos que os acompanham. Acho que é fundamental termos alguém que nos dê ferramentas para fazermos melhor o nosso trabalho e para sermos melhores pessoas", revela a apresentadora de 47 anos.

"Ninguém vê a Fátima como chefe. Toda a gente a vê como parte da equipa", garante Carlos Moura. Há, de facto, um ambiente descontraído nos 15 minutos que antecedem o arranque de A Tarde É Sua. A equipa de produção de estúdio, composta por dez elementos, conversa animadamente com a apresentadora, que faz questão de cumprimentar as 60 "meninas" que compõem a plateia do estúdio.

Minutos antes, as figurantes, contratadas a uma empresa especializada neste tipo de figuração, protagonizavam uma verdadeira corrida, corredores fora, para alcançar os lugares da frente no plateau.

"Quando somos líderes temos de provar todos os dias que merecemos continuar a ser líderes." Quem o diz é Fátima. A líder.

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