"El Mundo": o líder da revolução digital em Espanha

O jornal espanhol com maior número de vendas de cópias digitais explica ao DN como sobrevive e faz frente à crise do papel

Ninguém escapou ileso à crise do papel. Jornais e revistas em todo o mundo foram abalados pelo declínio de vendas das suas edições impressas, e nem todos conseguiram sobreviver para abraçar um presente e futuro digital. Em Espanha, o El Mundo foi o mais bem-sucedido nessa transição. Este que é o segundo jornal de âmbito nacional mais vendido em banca (atrás do El País), é também o atual líder na venda de cópias digitais e o meio de informação online preferido do público espanhol. O segredo?

"O El Mundo soube perceber a mudança de era e o início de uma etapa de transformação que vai mais além do que o digital", explica ao DN fonte da Unidad Editorial, empresa proprietária do jornal. "As tendências atuais apontam para um jornalismo centrado no universo online, nas redes sociais e nos dispositivos móveis, algo que a redação do El Mundo tem no seu ponto de mira. Além disso, as novas tecnologias oferecem a possibilidade de melhoria dos conteúdos e da publicidade, algo em que estamos a trabalhar há vários anos."

De facto, os números não enganam: cada leitor do diário espanhol dirigido por Pedro García Cuartango passa uma média de 28,4 minutos no elmundo.es por mês. Este regista mais de 14 milhões de utilizadores únicos no mesmo período, que geram 273 milhões de visualizações. Quanto aos exemplares digitais vendidos, esse mesmo responsável revela que, em junho, atingiram um número recorde de 22 mil e 872 cópias adquiridas.

"Sem dúvida que o jornalismo online é hoje a base mais relevante das redações e tem de ser tão rigoroso e verdadeiro como o chamado jornalismo tradicional. O El Mundo concede especial importância à urgência da atualidade informativa, mas sempre tendo presente que a confirmação de qualquer dado antes de ser publicado é primordial para garantir a veracidade e a independência de qualquer publicação. Isto é tão relevante para a edição impressa como para a digital", assegurou ainda a fonte ouvida pelo DN.

O jornal fundado a 23 de outubro de 1989 é ainda conhecido pelo seu jornalismo de investigação. Algo que, afiança o responsável da Unidad Editorial, não foi descurado com a revolução digital. "Desde a sua fundação que o El Mundo luta todos os dias por trazer à superfície dados de interesse público, incomode quem incomodar, seja em que plataforma for."

Embora seja líder no que diz respeito ao número de leitores online, o El Mundo disputa a atenção dos mesmos com o gigante El País. Especialmente desde março, altura em que esse título anunciou a decisão de passar a ser "essencialmente digital" e de manter a versão impressa apenas durante o período que "for possível".

Quanto às suas vendas em papel, o El Mundo registou, desde 2008, um declínio de 51% - em agosto de 2008 vendia 212 mil exemplares diários, enquanto atualmente vende 109 mil. Segundo os últimos dados da Associação para a Investigação de Meios de Comunicação em Espanha, sobre o primeiro semestre deste ano, o El Mundo afirma-se como o segundo maior jornal generalista em Espanha, com 815 mil leitores fidelizados, logo atrás do El País, que tem um milhão e 299 mil. Nesse mesmo ranking, destaque ainda para os diários de âmbito regional La Vanguardia (Barcelona), com um total de 651 mil leitores fidelizados; La Voz de Galicia, com 579 mil; El Periódico (Catalunha), com 490 mil; e o diário nacional ABC, que é o sexto mais lido no país, com um total de 485 mil leitores.

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