Como NCIS se tornou o drama mais visto do mundo


Mark Harmon, o protagonista da série da CBS, é também o ator mais bem pago da televisão, estimando-se que receba mais de meio milhão por episódio. O DN conversou com o ator e produtor e com outros elementos da série, que asseguram: Mark Harmon é um dos segredos da longevidade da série

"Nunca me esqueço de onde isto começou". Mark Harmon pausa e respira fundo, com um brilho nos olhos azuis. Estive lá desde o início. Sei o que foi preciso para nos tornarmos tão bem sucedidos quanto somos, e tenho noção do que será necessário para ficar lá, diz, numa conversa em Los Angeles. Harmon interpreta o agente especial Leroy Jethro Gibbs, que comanda uma equipa no Naval Criminal Investigative Service - NCIS na série que em Portugal recebe o título Investigação Criminal. Não é só a sua personagem que é o pilar da história; o próprio ator é também o produtor executivo da série, e os outros atores consideram-no o capitão da equipa.

O drama, que em Portugal passa na AXN, é a série mais vista nas televisões em todo o mundo: 47 milhões de espectadores, segundo a Eurodata TV Worldwide. Um feito ainda mais interessante se considerarmos que está no ar há quinze anos - não há muitas séries que consigam tantas temporadas, sobretudo no atual panorama televisivo. Nem a saída de personagens centrais, como os casos de Tony DiNozzo (Michael Weatherly) e Ziva David (Cote de Pablo), abrandou o êxito da série concebida pela CBS.

"Esta é uma série muito diferente do que era há 15 anos, de muitas formas", reconhece Harmon, revelando que nas primeiras temporadas nem sequer trabalhavam com guiões completos ou ensaios. Esta série sempre foi muito forte em termos de personagens, não era o caso que dominava, e tinha humor. Ainda estamos a fazer isso, mas de forma diferente. Na 15.ª temporada foi introduzida a personagem Jacqueline Jack Sloane, interpretada por Maria Bello, que vai fazer frente a Gibbs. É mais uma renovação da história, depois das entradas de Eleanor Bishop (Emily Wickersham) em 2013 e de Nick Torres (Wilmer Valderrama) no ano passado.

"O Gibbs é um tipo diferente em relação ao que era há quinze anos. Ele é um líder da velha guarda, alguém que confia no seu instinto. Tenho muito menos certezas sobre o que ele faz quando não está a trabalhar. Essa é a parte que penso que é questionável e que impulsiona a parte menos visível desta personagem, o que tem sido interessante de interpretar", analisa Harmon.

A entrada de Sloane baralha o equilíbrio da equipa, porque pela primeira vez há uma mulher que não é supervisionada por Gibbs e está em pé de igualdade. É algo que está relacionado com o mundo contemporâneo, indica Harmon. Maria Bello concorda. O que é interessante na Jack Sloane é que o Gibbs raramente teve alguém que não responde perante ele, diz a atriz. "Somos colegas iguais e temos uma forma diferente de fazer as coisas. Ele é muito por instinto, eu sou muito intelecto. Também sou forte mas feminina ao mesmo tempo. É uma das primeiras vezes que têm uma mulher adulta nesta série que Gibbs não supervisiona."

Um dos motivos pelos quais a série é tão popular é o cuidado com a aproximação à realidade, com verdadeiros agentes NCIS a atuarem como consultores. É extremamente popular entre o Exército Americano e vista pelas forças destacadas um pouco por todo o mundo. Ainda assim, Bello conta que recebe algum feedback engraçado. Conheci algumas mulheres do NCIS e todas dizem a mesma coisa: fazemos muito mais trabalho de secretária e papelada do que a tua personagem. Não estão sempre no terreno.

Maria Bello, que nunca tinha visto um único episódio de Investigação Criminal antes de ser contactada pela CBS, desfaz-se em elogios a Mark Harmon. "Ele é o capitão da equipa de futebol, que inspira as pessoas, que está sempre presente, afirma. Cerca de 95% da equipa, desde câmaras a assistentes, trabalha na série há 15 anos. As pessoas não se vão embora. É como chegar a casa quando chegamos ao estúdio. E é por causa dele."

Harmon sorri ao ouvir que Maria Bello fez este comentário, tentando uma autodesmistificação. Sei o que é fazer parte de uma equipa. Acordar todos os dias e ter uma perspetiva que permite ser parte disso, apoiar o todo como um, ninguém ser mais importante do que os outros, salienta.

São precisos oito dias para filmar um episódio e cada dia de trabalho demora 12 horas, começando às sete da manhã. O espírito de equipa nota-se na forma como falam uns dos outros e todos têm uma teoria para a longevidade da série. "O que nos separa dos outros é o foco nas personagens e as relações entre elas. É com isso que as pessoas se identificam, e continuam a ver porque gostam das personagens, mais do que os diferentes casos todas as semanas, explica Emily Wickersham, que interpreta Eleanor Bishop. Os escritores deram-nos oportunidades excelentes de explorar a vida fora dos casos."

Para Wilmer Valderrama, hispânico que atingiu o sucesso com That 70s Show, só entrar em cena já é uma vitória. "O que trago é que sou castanho. Sou inegavelmente latino. Essa é a vitória: não ver cor, ou não identificar uma personagem como um latino, ou um italiano, ou um asiático", argumenta. A sua personagem, Nick Torres, traz uma diversidade à história que não existia antes (área em que a CBS tem sido sobejamente criticada).

Talvez esse refrescamento seja outro dos motivos para o sucesso, numa altura em que as séries estão a ser encurtadas e já raramente há temporadas de 24 episódios de uma hora, como antes. "Tudo mudou. Os miúdos não veem nada no televisor, é nos smartphones, afirma Harmon. Ninguém sabe se voltará a estar num projeto com tantas temporadas. Harmon encolhe os ombros: Alguém vai ter de perceber como fazer isto."

Investigação Criminal. AXN, Episódio novo: quinta-feira,às 22.15

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