NBC duramente criticada pelos espetadores

Norte-americanos não estão satisfeitos com a transmissão dos Jogos Olímpicos pela estação televisiva, que detém a exclusividade do evento

A NBC, o canal norte-americano com exclusividade absoluta nos direitos de emissão para os EUA dos Jogos Olímpicos que estão a decorrer no Rio de Janeiro, Brasil, está a ser acusado de péssima realização. Os espectadores queixam-se ainda de falta de conteúdo, quantidades excessivas de publicidade, de apresentadores inaptos para comentar as modalidades e até de sexismo.

O canal norte-americano pagou cerca de mil milhões de euros para poder ter exclusividade absoluta das Olimpíadas, não deixando nenhum outro canal transmitir conteúdo, incluindo até o genérico do evento que decorre de quatro em quatro anos.

Ao contrários dos Estados Unidos, em Portugal, as estações de televisão RTP e SportTV dividiram o conteúdo de forma a poderem abranger todas as modalidades em direto. Infelizmente para os norte-americanos, a NBC é responsável por passar todo o conteúdo e, como consequência, não consegue transmitir tudo em direto, recebendo criticas negativas, especialmente na rede social Twitter. Um dos exemplos foram as finais de ginástica emitidas com horas de atraso por estarem a decorrer provas de natação.

Porque a exclusividade do evento saiu cara à NBC, o canal precisa de reaver o dinheiro através de publicidade. Esta é outra das queixas dos norte-americanos, a quantidade excessiva de anúncios. Muitos já apelidaram a NBC de "Nothing But Commercials" (Nada para além de anúncios, em tradução livre). Uma conta de Twitter foi criada para satirizar o canal. Na publicação feita pelo utilizador @NBC_Fail pode-se ler "Pedimos desculpa por cortarmos porções da cerimónia oficial das Olimpíadas. Tivemos de passar publicidade".

Outra das críticas feitas à estação é a falta de apresentadores qualificados para desempenhar esse papel. São criticados pela falta de contextualização, visto que grande parte da audiência não está familiarizada com todas as modalidades. No outro polo está a inglesa BBC que, ao contrário da NBC pediu a antigos atletas olímpicos que comentassem as modalidades que praticaram.

Dan Hicks, um dos apresentadores norte-americanos, foi acusado de sexismo quando disse que o marido e treinador da nadadora húngara Katinka Hosszu, era responsável pela medalha de ouro e pelo recorde mundial batido nos 400 metros livres. Depois de ser criticado, o apresentador respondeu dizendo que a própria nadadora afirmou aquilo que ele relatou. Acrescentou ainda que, no entanto, podia ter dito as coisas de maneira diferente e que seria impossível contar a história de Katinka sem dar valor ao que o marido fez por ela.

As criticas por sexismo não ficaram por aqui. John Miller, o responsável pelo departamento de marketing dos Jogos Olímpicos, afirmou um mês antes de começar o evento que as mulheres - que são a maior fatia da audiência - estão mais interessadas na história de cada atleta do que propriamente no desporto, quase como, segundo Miller, se se tratasse de um reality show e uma minissérie só num programa.

O grande foco dado aos atletas norte-americanos também não passa ao lado nas criticas feitas à NBC. Num país com tanta diversidade cultural, o canal só se foca nas estrelas norte-americanas. Enquanto as histórias destes atletas são repetidas vezes sem conta, os estrangeiros são deixados de parte.

Segundo o site Deadline, a audiência da abertura dos Jogos Olímpicos no fim de semana foram trágicas para a NBC, que apresentou valores inferiores aos de 2012, 2008 e até aos de 1992.

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