BBC acompanha morte assistida de um britânico

A estação emitiu ontem o documentário, que está a dividir opiniões

Por cá, discute-se se a eutanásia deve ou não ser referendada. No Reino Unido, o assunto está em discussão depois de a BBC 2 ter emitido, ontem à noite, um documentário que acompanhou o processo de morte assistida de um britânico numa clínica suíça.

"How to Die" ("Como morrer" em tradução literal) provocou as reações mais variadas, desde comoção até ira. O documentário acompanhou Simon Binner, um britânico a quem foi diagnosticada uma doença degenerativa no último verão, e mostrou-o a administrar a dose letal, a 19 de outubro do ano passado, acompanhado da mulher e de quatro amigos (as duas filhas não estavam presentes). Mostrou também a mensagem que este deixou à mulher, em que garantiu que "nada ficou por dizer".

"Sei que me amaste e eu amei-te", afirmou Simon Binner. "Amo-te muito, Debbie. Adeus", rematou, provocando, segundo o "Daily Mail", muita emoção entre alguns telespetadores.

Mas também há muitas críticas. A BBC foi acusada de publicitar o suicídio, segundo o "The Independent", e a estação de televisão foi mesmo obrigada, à última da hora, a cortar algumas cenas que tinha previsto exibir, nomeadamente as imagens de Simon Binner a morrer e do seu corpo já cadáver e aquelas que detalhavam as drogas utilizadas para pôr fim à vida.

A mulher de Simon, pelo contrário, citada pelo "Daily Mail", considera que o documentário "é lindo" e recusa a ideia de que promova o suicídio assistido. Pelo contrário, Debbie Binner tem esperança de que ajude à discussão sobre o tema.

Em Portugal, a questão da eutanásia tem sido debatida depois de vir a público um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida que foi assinado por uma centena de personalidades portuguesas de várias áreas, desde políticos a cientistas ou médicos.

Entre os signatários contam-se políticos de vários quadrantes, como os socialistas Álvaro Beleza, Isabel Moreira, Elisa Ferreira e Helena Roseta, os antigos dirigentes do Bloco Ana Drago e Daniel Oliveira, os ex-coordenadores deste partido Francisco Louçã e João Semedo, os ex-candidatos presidenciais António Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias, a deputada do Partido Ecologista "Os Verdes" Heloísa Apolónia, os sociais-democratas Paula Teixeira da Cruz, Rui Rio e Pacheco Pereira, o fundador do Livre Rui Tavares e o antigo capitão de Abril Vasco Lourenço, entre outros.

Médicos, investigadores e personalidades ligadas à cultura completam a lista de signatários do manifesto que defende que, tal como o direito à vida está consagrado em lei, também "o direito a morrer em paz" o deve ser.

"É imperioso acabar com o sofrimento inútil e sem sentido, imposto em nome de convicções alheias. É urgente despenalizar e regulamentar a morte assistida", defendem.

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