Administrador da empresa que roubou dados no Facebook explica como desacreditar políticos

Repórter com câmara oculta desvenda técnicas da Cambridge Analytica

Na segunda-feira, a estação televisiva Channel 4 News transmitiu filmagens ocultas em que o diretor executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix, explica táticas que a sua empresa pode usar para desacreditar políticos online. Entretanto, a Comissão Independente de Informação do Reino Unido pediu um mandado para poder investigar as bases de dados e os servidores da empresa inglesa.

Na reportagem do Channel 4, um jornalista fez-se passar por um candidato no Sri Lanka. Questionado sobre a forma de atuar da empresa para acabar com a reputação de adversários, Nix sugeriu "oferecer um acordo bom demais para ser verdade" e ter uma câmara a filmar a oferta. Outra hipótese que "funciona muito bem" é "enviar algumas meninas para a casa do candidato", sugeriu, tendo mencionado em específico as ucranianas, "muito bonitas".

Alexander Nix não estava a revelar ideias não testadas: "Estou apenas a dar exemplos do que pode ser feito e do que foi feito".

A empresa Cambridge Analytica é suspeita de se ter apropriado de dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook para ajudar políticos a vencer eleições em 2016, incluindo nos EUA e no Reino Unido.

Em comunicado, a empresa nega as práticas referidas. "A empresa não tolera nem se envolve em armadilhas ou subornos", tendo explicado que a conversa seguiu aquele rumo de "cenários ridículos" apenas "para poupar o cliente ao constrangimento".

Ontem, o presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani pediu uma investigação completa por parte daquela câmara à "violação inaceitável dos direitos dos cidadãos" de que a Cambridge Analytica é suspeita.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.