Acabaram-se as mulheres nuas na Playboy. Agora só as "provocantes"

Queda de circulação e concorrência da internet conseguiu aquilo que a oposição da direita conservadora e feministas não conseguiram: acabar com as fotografias de mulheres nuas.

É o fim de uma era: a Playboy vai trocar as mulheres nuas pelas mulheres "provocantes". A revista de Hugh Hefner considera que a disseminação da pornografia na internet fez com que os nus ficassem "fora de moda" e, em vez disso, vai apostar em "poses provocantes".

A notícia foi avançada pelo jornal The New York Times (NYT), que cita o presidente da empresa, Scott Flanders. Segundo o CEO, o fundador Hugh Hefner concordou com a sugestão do editor Cory Jones.

Uma mudança de rumo que surge por causa da internet. Numa altura em que qualquer pessoa consegue aceder a milhares de imagens de nus e a pornografia através do telefone, a revista opta por apresentar antes mulheres em poses provocantes, mas não completamente nuas. "Estamos a um clique de distância de todos os atos sexuais imagináveis e de graça", disse Flanders ao NYT. E, por isso, "é muito 'passé"' apresentar nus, concluiu.

Alterações que surgem depois de a circulação da revista ter caído de 5,6 milhões em 1975 para 800 mil atualmente. No entanto, ainda há algumas mudança em discussão, nomeadamente o que vai acontecer às páginas centrais, que geralmente apresentam a "playmate" do mês.

A revista terá também uma mulher a falar "entusiasticamente" sobre sexo, que não estará despida: uma nova colunista, disse Cory Jones ao jornal. Terá também um aspeto para moderno.

Aliás, a Playboy apostou sempre em artigos de qualidade, lembra a agência Reuters, e ao longo da sua história contou com escritores como Kurt Vonnegut, Joyce Carol Oates, Vladimir Nabokov, Margaret Atwood e Haruki Murakami . E chegou a publicar entrevistas longas como figuras como Fidel Castro, Martin Luther King Jr., Malcolm X e John Lennon.

As produções fotográficas contaram também com fotografias assinadas por nomes como Helmut Newton e Annie Leibovitz, e pelas páginas da revista passaram várias celebridades, desde as atrizes Kim Basinger, Sharon Stone ou Drew Barrymore, até à cantora Madonna.

A revista que se estreou em 1953 com Marilyn Monroe na capa, numa edição que se tornou icónica, enfrentou várias dificuldades ao longo das últimas décadas, dos ataques da direta conservadora por causa da nudez às objeções de feministas por causa da objetificação da mulher. Com o passar dos anos, os artigos foram perdendo e efeito choque e parecem ter sido a queda de circulação e concorrência da internet a acabar com os nus.

Com Reuters

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