"A Guerra dos Tronos". Porque está o mundo louco por esta série?

Trama inspirada na obra de George R.R. Martin volta hoje com a sexta temporada. Eis o fenómeno cultural, explicado em detalhe

Surgiu, despercebida, há precisamente 20 anos, sob forma literária, com a trilogia As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Hoje é um fenómeno cultural como há muito não se via em televisão. Nesta noite, apenas um dia após a estreia nos EUA, chega a Portugal o primeiro episódio da antecipada sexta temporada de A Guerra dos Tronos, a mais bem-sucedida série de sempre da HBO, no canal Syfy, pelas 22.10. Motivo para descortinar a popularidade e o aplauso da crítica da trama dramática e de fantasia.

A Guerra dos Tronos, vencedora de 26 prémios Emmy, é, indiscutivelmente, a rainha de audiências da HBO: com uma média de sete milhões de espectadores por episódio na quinta temporada (números quase impraticáveis no restante mercado por cabo norte-americano), atingiu um pico de 8,1 milhões no derradeiro capítulo, em junho de 2015. Aliás, em 2012, após apenas um ano no ar, já era detentora da base de fãs mais devota do mundo, segundo a revista Vulture, batendo fenómenos como Oprah Winfrey ou as sagas Star Wars e Twilight. No ano seguinte, tanto a série como os livros já tinham levado mais de cinco milhões de pessoas a registarem-se em clubes de fãs.

"O que mais contribuiu para que se chegasse a este fenómeno foi, sem dúvida, a quantidade de mortes inesperadas e chocantes que se tornaram a marca da série", explica João Moreira, administrador do clube de fãs em Portugal, que se dedica a divulgar notícias sobre o universo de George R.R. Martin e a promover passatempos. Outro relevante grupo de fãs europeu pode ser encontrado na Grécia, cuja plataforma oficial é gerida por Dimitra Katopodi. "A singularidade da série deve-se ao fantástico enredo de batalhas, traições, à grande quantidade de personagens "cinzentas" - que não conseguimos categorizar como boas ou más -, à rica produção de efeitos especiais e, claro, aos cenários e ao guarda-roupa de tirar o fôlego", frisa a responsável pela promoção de convenções, concursos e entrega de merchandising aos fãs gregos. Mas há mais por detrás deste sucesso, acrescenta: "Os elementos do fantástico, como dragões e gigantes, não impedem a série de ser terra-a-terra, e permitem que o público se vincule àquelas personagens, que pensam e reagem como nós."

Este que é o "programa mais caro e cinematográfico da TV" - cada episódio exige um investimento de dez milhões de euros -, segundo a revista Time, é transmitido em mais de 170 países. Naqueles que lhe servem de cenário, registou-se um impacto positivo no turismo: veja-se, como exemplo, a Irlanda do Norte, que em 2015 lucrou mais de 82 milhões de euros nesse segmento; ou Dubrovnik, na Croácia, que aumentou os seus visitantes em 28%.

No que toca a merchandising, há produtos para todos os gostos, desde roupa a CD, joias, adereços ou videojogos, que ilustram a sua rentabilidade fora do ecrã. Foram até abertos cursos de licenciatura e mestrado sobre a trama, nos EUA e no Canadá, para quem queira tornar-se especialista na matéria. Tudo isto se deve à complexidade da história. "Até chegar A Guerra dos Tronos, as séries de TV eram simples, facilmente digeridas", frisa Alexander Siddig, que veste a pele de Doran Martell. "Nesta série, não perdemos mais do que dois minutos com uma personagem até que apareça outra. Aproveitaram o facto de os espectadores serem capazes de lidar com elevados graus de complexidade", defende o ator.

De facto, parece que A Guerra dos Tronos conquista qualquer batalha: em 2015, foi a série mais comentada no Twitter e no Facebook e, nos últimos quatro anos, foi a mais pirateada do mundo. O que não é, de todo, um mau sinal. "A pirataria leva a uma maior penetração junto do público, a mais subscrições pagas, a uma maior riqueza para a HBO. Isso é melhor do que um Emmy", garante Jeff Bewkes, CEO da Times Warner, empresa que detém o canal.

Aos olhos dos criadores, o fenómeno deve-se ao imaginário de R.R. Martin. "No início, quanto mais eu lia, mais pensava "se pudermos levar isto em frente, as pessoas vão viciar-se na série como eu estou viciado nos livros"", recordou o produtor David Benioff à Variety. Sobre a sexta temporada, o mesmo responsável acredita que será "a mais forte de todas". Bryan Cogman, produtor e argumentista, promete: "Esta temporada continuará a ser muito obscura e intensa."

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