A "fada madrinha" da Vogue deixa cargo de produtora

Grace Coddington, considerada o "coração" da indústria da moda, é agora diretora-geral da revista.

É chamada de "fada madrinha da moda" ou "O Michelangelo do Papa [Anna] Wintour". Mas o conto de fadas chegou ao fim. Grace Coddington, até agora o braço direito da editora da Vogue norte-americana , é a responsável pela essência de todas as produções fotográficas da revista dos últimos 30 anos. Grace, de 74, foi responsável por apresentar Calvin Klein aos britânicos e Naomi Campbell aos norte-americanos, "a jóia da coroa", como a descreveu Anna Wintour, anunciou que deixa o cargo de produtora para assumir o de diretora-geral da revista. "É só outra forma de ligação. Não vou, certamente, reformar-me. Não quero ficar sentada", disse Coddington à publicação The Business of Fashion .

Obcecada por moda desde adolescente, Grace cresceu na isolada ilha de Anglesey, no país de Gales, e esperava três meses por cada edição da Vogue, que lhe mostrava algo completamente diferente da sua realidade. Quando tinha 17 anos, a Vogue abriu um concurso para novos modelos e alguém enviou fotos suas. Foi selecionada e chegou a trabalhar como manequim, mas a sua carreira e a marca que deixa na moda não estão ligadas à sua experiência como à frente das câmaras.

A produção Alice in Wonderland, fotografada por Annie Leibowitz e que nos traz uma Alice em sofrimento (a manequim Natalia Vodianova), não existiria se Grace não tivesse imaginado esse cenário. Aliás, este é um dos seus editoriais favoritos. Foi o acidente que mudou tudo.

Grace perdeu uma das pálpebras no desastre - seria reconstruída mais tarde - e este ditava o fim da sua carreira como modelo. Mas Grace não teria transformado a Vogue, se não tivesse sido manequim. Esse era o tempo em que as modelos tratavam do seu próprio cabelo e maquilhagem e a sua capacidade para improvisar o visual durante uma sessão fotográfica chamou a atenção da editora da Vogue britânica, Beatrix Miller, que lhe ofereceu um emprego.

A caminhada de Grace dentro da publicação foi sempre ascendente - ficou 19 anos na revista, até chegar a editora sénior da edição britânica. Deixaria o cargo em 1987, quando foi convidada por Calvin Klein para ser a sua diretora artística. Um ano depois de Grace se juntar ao estilista, Anna Wintour convidou-a para assumir o cargo de diretora criativa da Vogue, nos EUA. Wintour diria, mais tarde, que quando Coddington aceitou o convite se sentiu "a flutuar na Lua". Se Wintour é a dama de ferro da Vogue, Grace foi sempre vista como a alma romântica - mas tenazmente eficaz - na retaguarda de cada produção. Fica famosa pela visão rica e detalhada de todas as narrativas que construiu para a revista- uma visão onde a beleza é fundamental. "Ela é o coração desta indústria", escreveram sobre Coddignton.

Apesar de terem sido as suas ideias a criarem o universo Vogue, só em 2009 se tornou mais conhecida, após a exibição do documentário de R. J. Cutler,The September Issue, que mostra os bastidores da edição da Vogue de setembro de 2007. Cutler passou um ano com a equipa e aprendeu isto: "Cada outdoor, anúncio ou editorial de uma revista de moda que vemos hoje foram influenciados por Grace Coddington". A arte era ela.

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