Falar de jornalismo é também falar de internet

A relação entre os mais novos e os meios de comunicação tradicionais, como o jornal impresso, tem vindo a sofrer alterações. As mudanças nos hábitos de leitura de jovens e adolescentes, sobretudo influenciados pela internet, é uma das causas apontadas.

Os alunos do 8.º ano do Colégio Valsassina e da Escola D. António da Costa (pertencente ao agrupamento de escolas Emídio Navarro) foram os protagonistas da sessão de abertura desta semana no espaço do Media Lab.

Como tem sido habitual, os jovens têm a oportunidade de escrever notícias sobre a atualidade, nacional ou internacional, de qualquer área (política, economia, ciência, sociedade, desporto, entre outras).

A visualização do documentário sobre a história do Diário de Notícias ao longo dos últimos 150 anos despertou os alunos para a tarefa seguinte: realizar o workshop "Faz a tua 1ª página". Motivados e com desejo de colocar em prática o que aprenderam nas aulas de Português e na sessão de aprendizagem promovida pelo Media Lab, os jovens iniciaram a sua tarefa.

Não só de títulos sugestivos e de manchetes apelativas se constrói a primeira página. O destaque fotográfico - completado com uma legenda que resume a imagem - e as chamadas de primeira página - que visam "chamar" a atenção dos leitores para assuntos importantes da atualidade.

A visita à redação e o esclarecimento sobre o ardina - criança de 7 a 10 anos que apregoava pelas ruas as notícias mais importantes do dia - despertou a curiosidade dos mais novos em saber mais sobre o papel do jornalista do século XXI e sobre o seu local de trabalho.

Neste momento a internet é o meio de comunicação que torna visível a integração dos media num único suporte, que permite ao leitor um horizonte ilimitado de informação. O ciberespaço possibilita aos jornais a incorporação de vários elementos, como o som e a imagem, antes exclusivos da televisão e da rádio, sem que estes alterem a sua essência, já que o texto se mantém como principal suporte de informação.

Os mais novos, apesar de admitirem que tomam conhecimento das notícias e assuntos do dia através das redes sociais, referem que os seus pais compram a versão impressa do jornal, sobretudo pelo apelo feito pelos meios de comunicação nas suas páginas online.

Estes jovens, com idades entre os 12 e os 14 anos, assumem que "falar de jornalismo, é, também, falar de internet".

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