Única candidata à presidência do parlamento da RDCongo vence com boicote da oposição

Kinshasa, 24 abr 2019 (Lusa) - Jeanine Mabunda foi hoje eleita para a presidência do parlamento da República Democrática do Congo (RDCongo), numas eleições em que era a única candidata e que ficaram marcadas por um boicote da oposição.

Jeanine Mabunda, de 53 anos, foi já empossada no Palácio do Povo, na capital congolesa, Kinshasa.

Jeanine Mabunda, que exerceu as funções de ministra responsável pela pasta das empresas públicas entre 2007 e 2012, concorreu pela coligação Frente Comum para o Congo (FCC), do antigo Presidente Joseph Kabila.

Um representante da coligação Cach do atual Presidente, Félix Tshisekedi, Jean-Marc Kabund, foi nomeado primeiro vice-presidente do parlamento.

A antiga ministra do Portefólio (das empresas públicas) foi, depois de deixar o Governo, conselheira de Kabila para a luta contra a violência sexual e as questões relacionadas com o recrutamento de crianças pelos grupos armados.

A sua eleição acontece três meses depois da tomada de posse do atual chefe de Estado, Tshisekedi, que ainda não nomeou o líder do Governo.

A eleição de Jeanine Mabunda ficou marcada pelo boicote da oposição, que protestou contra a "coligação maioritária" que reúne os deputados do partido do Presidente Félix Tshisekedi, e do seu antecessor, Joseph Kabila.

"Os deputados da oposição informam o povo congolês que mantêm a sua decisão de não participar neste processo eleitoral, que é uma reminiscência dos bons velhos tempos do estalinismo".

O FCC dispõe de uma larga maioria de mais de 300 deputados em 500 assentos na Assembleia Nacional do país, por força do resultado oficial das eleições gerais de 30 de dezembro último.

Um candidato independente, Henri-Thomas Lokondo, anunciou na terça-feira a sua retirada, depois de a sua candidatura ter sido invalidada, na véspera, na sequência de uma moção apresentada por um deputado da maioria.

Exclusivos