Três empresários detidos em caso de tráfico de influência na Argélia

Argel, 24 abr 2019 (Lusa) - Três empresários argelinos, Karim, Noah-Tarek e Reda Kouninef, membros de uma família próxima do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika foram colocados em prisão preventiva após serem ouvidos num caso de "tráfico de influência", divulgou hoje uma fonte judicial.

Segundo a agência noticiosa AFP, os três irmãos Kouninef foram detidos na segunda-feira e levados terça-feira diante de um juiz de instrução em Argel.

Os empresários ficaram em prisão provisória no final da audiência, de acordo com a fonte judicial.

Os meios de comunicação públicos argelinos anunciaram no domingo a prisão de quatro irmãos Kouninef, mas a mesma fonte assegurou que apenas três deles haviam sido presos.

Uma quarta pessoa, uma executiva de uma companhia, também foi detida neste caso, segundo a fonte judicial, que não identificou nem o detido nem a empresa.

Os irmãos Kouninef são suspeitos, em particular, de "não cumprir os compromissos contidos nos contratos celebrados com o Estado e tráfico de influência com funcionários para obter privilégios", acrescentou.

A discreta, mas influente família Kouninef é proprietária do grupo KouGC, especializado em engenharia civil, hidráulica e obras públicas, beneficiando há muitos anos de importantes contratos públicos.

As ligações com Abdelaziz Bouteflika datam do início dos anos 1970, quando este era o poderoso ministro dos Negócios Estrangeiros do autocrata Houari Boumedienne e Ahmed Kouninef, o pai, lançou a KouGC num país com uma economia dirigida, de acordo com o diário argelino El Watan.

Os irmãos Kouninef também são conhecidos como próximos a Saïd Bouteflika, irmão e poderoso assessor de Abdelaziz Bouteflika.

Desde que Abdelaziz Bouteflika pediu a sua demissão a 02 de abril, após 20 anos no poder, sob a pressão popular e do exército, a justiça lançou uma série de investigações sobre corrupção, voltada principalmente personalidades respeitáveis próximos do ex-Presidente.

Na terça-feira, também foi colocado em prisão provisória o presidente-executivo da Cevital, o maior grupo privado na Argélia, Issad Rebrab, que é a primeira fortuna do país, que estava em conflito aberto há muitos anos com as autoridades argelinas.

Rebrab acusou as autoridades argelinas de interferirem nos seus investimentos no setor agroalimentar em benefício dos irmãos Kouninef, com quem a Cevital competia no setor.

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Gaïd Salah, pediu a 16 de abril que a justiça "acelerasse o ritmo" na investigação da corrupção relacionada ao antigo regime.

Salah novamente felicitou hoje "a resposta da justiça" ao seu apelo e deu aos serviços judiciais "garantias" do exército para prosseguir "com determinação e liberdade, sem qualquer restrição ou pressão, as "investigações contra suspeitos de corrupção.

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