Tancos: Ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes desconhecia memorando recebido pelo antecessor

Lisboa, 24 abr 2019 (Lusa) -- A ex-chefe de gabinete do anterior ministro da Defesa Azeredo Lopes disse hoje que o seu antecessor, general Martins Pereira, nunca lhe referiu a existência de um "memorando" sobre a recuperação do material furtado em Tancos.

Depois de o Expresso noticiar o ano passado que dois elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM) entregaram ao então chefe de gabinete de Azeredo Lopes, general Martins Pereira, um "memorando" que descrevia uma "encenação" da recuperação do material furtado, o governante deu instruções para que localizassem o documento no Ministério.

"Concluímos pela inexistência" do documento no Ministério da Defesa, disse Maria João Mendes, que sucedeu a Martins Pereira na chefia do gabinete de Azeredo Lopes.

Ouvida hoje na comissão parlamentar de inquérito sobre o furto de material militar dos paióis de Tancos, Maria João Mendes admitiu que, na tentativa de localizar o documento contactou o seu antecessor na função, Martins Pereira, que lhe respondeu que "não tinha sido dada entrada de qualquer documento".

"Se me diz que não, para mim a situação está respondida", afirmou Maria João Mendes.

Em 04 de outubro de 2018, o general Martins Pereira confirmou à Lusa que recebeu o ex-diretor da PJM e o ex-investigador da mesma política Vasco Brazão, referindo não lhe ter sido possível "descortinar qualquer facto que indiciasse qualquer irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos".

Na declaração, Martins Pereira não fez referência a nenhum documento que lhe tivesse sido entregue pelos dois responsáveis da PJM.

Contudo, na semana seguinte, anunciou que fez chegar ao Ministério Público a "documentação verdadeira" que recebeu por parte dos elementos da PJM.

Hoje, Maria João Mendes disse ainda que Martins Pereira nunca lhe referiu a existência de qualquer reunião, nem de documentação sobre a recuperação do material furtado.

Na audição na comissão parlamentar de inquérito, no passado dia 11, Martins Pereira confirmou que recebeu na manhã do dia 20 de outubro de 2017 o coronel Luís Vieira e o major Vasco Brazão, que lhe entregaram dois documentos, uma "fita do tempo" e um documento "não timbrado e não assinado" e que lhe pareceu feito "com alguma pressa".

Segundo o general, o documento divulgado pelo Expresso apresentava algumas diferenças face ao que recebeu da parte da PJM.

Martins Pereira adiantou que entregou o documento ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal, onde foi ouvido na qualidade de testemunha no âmbito da Operação Hubris, que investigou a operação de recuperação do material, processo que foi depois apenso ao do furto de Tancos.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos, foi noticiado em 29 de junho de 2017 e parte do equipamento foi recuperado quatro meses depois.

O caso ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

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