Seca: Autarca de Alcácer do Sal critica "passividade" do Ministério do Ambiente

O presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Vítor Proença, criticou hoje a "passividade" do Governo em mitigar os efeitos da seca na bacia hidrográfica do rio Sado, voltando a reclamar uma audiência para discutir "soluções alternativas".

"Em abril do ano passado, numa reunião com os representantes dos agricultores e o ministro do Ambiente, foi garantida a constituição de um grupo de trabalho que seria coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e até aos dias de hoje nada aconteceu", disse à agência Lusa o autarca de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal.

Trata-se, na opinião de Vítor Proença (CDU), de "uma falta de respeito para com os agricultores, representantes dos produtores e pelo município de Alcácer do Sal".

"Saímos dessa reunião com a expectativa de que o grupo de trabalho iria adotar um conjunto de medidas para carregar as albufeiras a partir de Alqueva, tendo em conta a produção de arroz em Alcácer do Sal, e eis que até ao momento não foi elaborado qualquer documento, depois de várias tentativas de contactos", criticou.

Na missiva enviada ao ministro do Ambiente e Transição Energética, João Matos Fernandes, o autarca alentejano recorda que, em 2018, a bacia hidrográfica do rio Sado, particularmente a zona beneficiada pela obra de rega do Vale do Sado, "esteve em risco de não ter produções agrícolas" devido ao período de seca severo que atingiu a área de cultivo.

Segundo Vítor Proença, "a falta de resposta do Governo", perante o fenómeno das alterações climáticas que atinge a zona, "põe em causa" a próxima campanha de arroz no Vale do Sado, que representa 30 por cento da produção nacional, e compromete a economia local.

"O arroz é fundamental nesta região e as duas barragens da bacia hidrográfica do Vale do Sado mostram ser insuficientes no período de seca aguda, como se verificou o ano passado, e por isso são indispensáveis medidas suplementares para que os produtores não tenham de conviver com a incerteza permanente", acrescentou.

Para atenuar os efeitos dos períodos de seca que atingem a bacia hidrográfica do rio Sado, o autarca defende "a realização de estudos" que permitam levar água de Alqueva para as barragens do Pego do Altar e Vale do Gaio, em Alcácer do Sal.

"Estas soluções não se conseguem em dois ou três meses e devem ser adotadas a médio prazo", insistiu o autarca, considerando que "a região está a ser muito prejudicada por estas políticas e não pode aceitar o desprezo com que tem sido tratada".

Com uma "produção média anual de seis toneladas por hectare" e com "um preço médio de 280 euros por tonelada", o cultivo do arroz é uma das principais atividades económicas de Alcácer do Sal, que, quando explorados os seis mil hectares, pode chegar a valer cerca de "10 milhões de euros".

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