REPORTAGEM: Europeias: Eleitores escolhem partidos pró-europeus para mostrar oposição ao 'Brexit'

Londres, 23 mai 2019 (Lusa) - O 'Brexit' é apontado como a principal questão em jogo nas eleições para o Parlamento Europeu que decorrem hoje no Reino Unido, levando eleitores contactados pela Lusa em Londres a optar por partidos contra a saída da UE.

À porta de uma mesa de voto num edifício da Metropolitan University, no município londrino de Islington, Alice, de 35 anos, trocou o voto tradicional no Partido Trabalhista para votar nos Verdes, embora tenha também ponderado votar nos Liberais Democratas.

"Estas eleições têm a ver com o 'Brexit' e não com partidos. Votar no Partido Trabalhista não enviaria uma mensagem suficientemente anti-'Brexit'", disse à agência Lusa.

O Norte de Islington é a área que elege Jeremy Corbyn há mais de 30 anos, desde 1983.

Nas eleições legislativas de 2017, o líder trabalhista foi reeleito para a Câmara dos Comuns com 72,8% dos votos.

Na zona sul de Islington, a deputada é a trabalhista Emily Thornberry.

A posição oficial do partido é aceitar o resultado do referendo de 2016, quando 52% dos eleitores votaram a favor da saída da UE, mas muitos militantes defendem um novo referendo, o que Corbyn tem resistido a fazer.

Residente numa região tradicionalmente 'Labour', Alice admite que "esta questão é muito complexa" e que tem familiares e amigos com quem partilha a filiação política, mas que defendem a saída do Reino Unido da UE.

Mick é um desses eleitores tradicionalmente trabalhistas.

Sem fazer mais comentários, disse hoje à Lusa que votou no Partido Brexit do eurocético Nigel Farage por estar insatisfeito com o impasse no processo desde o referendo de 2016 que ditou o 'Brexit'.

Eira, pelo contrário, estava incerta entre os Verdes e os Liberais Democratas devido à preocupação em votar taticamente para eleger mais eurodeputados pró-europeus.

"No fundo, isto é como se fosse um referendo ao 'Brexit'. Numas eleições legislativas, provavelmente votaria no Partido Trabalhista", explicou.

Para Martin, cidadão checo recentemente naturalizado britânico, "enquanto Corbyn continuar sentado na cerca, sem contrariar o 'Brexit', não voto mais no 'Labour'".

As divergências sobre a relação do Reino Unido com a UE entre partidos e dentro dos partidos políticos é a causa do impasse que impede que seja aprovado o acordo de saída que implementa o ?Brexit', o qual já foi chumbado três vezes.

Mas a discórdia está presente na presente na família de uma eleitora, que não se quis identificar.

Reformada de uma organização ligada à UE, vê com desgosto a aversão do filho a Bruxelas.

O Partido Conservador, atualmente no governo, deverá ser castigado nestas eleições, e alguns eleitores consideram que estas eleições também são uma oportunidade para um voto de protesto.

"Há mais coisas em jogo. Existe o risco de um voto dividido enfraquecer o Partido Trabalhista. Temos de mostrar consistência e unidade", vincou Mark, que, apesar da meia idade, votou pela primeira vez em eleições europeias.

As mesas de voto no Reino Unido, que elege 73 eurodeputados, estão abertas até às 22:00 horas de hoje, mas os resultados só serão conhecidos no domingo, depois de fecharem as mesas em todos os Estados membros.

Apesar de o 'Brexit' ter sido votado num referendo em 2016, o chumbo por três vezes no parlamento britânico ao acordo de saída negociado com Bruxelas obrigou o governo adiar a data da saída, cujo prazo foi diferido para 31 de outubro.

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