Renamo em congresso para ser "alternativa" à governação em Moçambique

O coordenador interino da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) defendeu hoje que o partido deve continuar a ser uma alternativa de governação em Moçambique.

"A nossa missão e o nosso desafio é continuarmos a ser uma alternativa de governação", referiu Ossufo Momade, na abertura do 6.º Congresso da Renamo, na serra da Gorongosa, Sofala, centro de Moçambique.

O responsável, que dirige o partido desde maio de 2018, após a morte de Afonso Dhlakama, realçou a necessidade de fortalecer a coesão interna, para a Renamo "ser forte" no seu projeto de governação inclusiva.

Momade defendeu os ideais do ex-líder como forma de consolidar a democracia em Moçambique e comparou Afonso Dhlakama a figuras históricas como Nelson Mandela e Martin Luther King na luta pela democracia.

"O nosso saudoso presidente ensinou-nos a saber transformar as dificuldades em fonte de inspiração e crescimento", acrescentou, numa alusão às queixas da Renamo de fraude nas eleições autárquicas de outubro de 2018.

Ossufo Momade assinalou que o pacote de descentralização, fruto da trégua militar entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo, em vigor desde dezembro de 2016, deve servir para fortalecer a democracia.

O coordenador do partido classificou como "discriminação política" o facto de Manuel Araújo, autarca da Renamo de Quelimane, uma das principais cidades do país, poder vir a ser impedido de tomar posse para um novo mandato, devido a uma decisão do Conselho de Ministros de agosto de 2018.

A Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, reúne-se num congresso de três dias numa tenda montada junto a uma das bases militares na serra da Gorongosa.

O encontro deverá culminar na escolha do sucessor de Afonso Dhlakama na presidência da força política, líder que deverá ser também o candidato da Renamo às eleições presidenciais de 15 de outubro deste ano.

O congresso junta 700 delegados e convidados e deverá debater, além da sucessão de Dhlakama, as negociações de paz no país, a revisão dos estatutos e a eleição de um novo secretário-geral.

Participam do congresso como convidados o Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), de Raúl Domingos, e o Partido Renovador Democrático (PRD).

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