RCA: Grupo armado atacou aldeia, fez 11 reféns e incendiou veículos

Bangui, 25 abr 2019 (Lusa) -- Elementos da milícia Frente Democrática do Povo Centro-Africano (FDPC, na sigla em francês) atacaram na segunda-feira a aldeia de Lokoti, onde incendiaram veículos e fizeram reféns 11 pessoas, disse fonte policial à AFP.

"Entraram na aldeia, incendiaram dois camiões, bem como uma moto", disse à AFP uma fonte da polícia de Bouar, vila situada a cerca de 70 quilómetros de Lokoti, no oeste da República Centro-Africana (RCA).

Esta fonte especificou que 11 pessoas foram feitas reféns pelos elementos da FDPC, uma vez que os outros aldeãos conseguiram fugir.

"Os 'capacetes azuis' estão em fase de ação e pesquisa na zona", indicou hoje à comunicação social o porta-voz da missão da Organização das Nações Unidas no país (MINUSCA, na sigla em inglês), Vladimir Monteiro.

No início de abril, a MINUSCA lançou uma operação militar contra este grupo, que tem implantação local, mas não tem influência nacional.

A ONU criticou este grupo armado por ter erigido barricadas na estrada nacional 1, a única que permite abastecer Bangui a partir dos Camarões, e roubado uma dezena de carrinhas 'pick-up'.

O primeiro-ministro centro-africano, Firmin Ngrebada, tinha então "chamado à razão" a FPDC. "Não assinámos um acordo de paz para regressar à guerra", declarou.

Depois da assinatura de um acordo de paz no início de fevereiro entre Bangui e 14 grupos armados, entre os quais a FDPC, este erigiu barricadas em sinal de descontentamento com as autoridades, que, na sua opinião, "não tinham respeitado" o acordo para a formação do governo.

Um novo ciclo negocial ocorreu em meados de março na Etiópia e um novo governo foi nomeado em 22 desse mês.

Se o líder deste grupo, Abdoulaye Miskine, rejeitou o cargo ministerial que lhe estava destinado, um dos seus próximos foi nomeado "conselheiro especial" na chefia do Governo e o outro chefe da prefeitura de Nana-Mambéré, uma região no oeste.

O acordo de Cartum, apoiado por todos os parceiros de Bangui e preparado desde 2017 pela União Africana, foi o oitavo desde o início da crise, marcada pelo derrube do Presidente François Bozizé, em março de 2013, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA, cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde agora tem a 5.ª Força Nacional Destacada (FND) e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A 5.ª FND integra 180 militares do Exército (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres) e três da Força Aérea.

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