PSD quer modelo de "funcionamento e programação" para Cinema Batalha no Porto

Porto, 18 abr 2019 (Lusa) -- O PSD/Porto defendeu hoje a definição do "modelo de funcionamento e programação" do Cinema Batalha, alertando que o projeto se inclui num "padrão de gestão autárquica com derrapagem de custos, prazos e ausência de plano estratégico".

Em comunicado, o presidente da Comissão Política Concelhia do Porto do PSD, Hugo Neto, afirma que "o executivo de Rui Moreira tem a obrigação de aproveitar os dois anos que distam da inauguração do espaço para, conjuntamente com instituições e parceiros da cidade, definir uma linha programática que integre e potencie as realidades já existentes" no concelho.

"A autarquia não pode ter para o novo Batalha uma visão cultural centralista e desconectada do resto da cidade", sustenta o PSD, a propósito do concurso para a reabilitação do Cinema Batalha lançado na terça-feira com o valor base de 4,6 milhões de euros e um prazo de execução de 600 dias (cerca de um ano e oito meses).

O PSD alerta que, em 2017, foi anunciado que "as obras arrancariam em 2018 e teriam um custo de 2,5 milhões de euros", levando à reabertura do cinema em 2019.

"Sabemos, hoje, que as obras custarão 4,6 milhões de euros e que o cinema não abrirá antes de 2021", observa.

Para o PSD, "o projeto do Cinema Batalha enquadra-se no padrão de gestão autárquica do atual executivo municipal -- derrapagem de custos, derrapagem de prazos e ausência dum plano estratégico claro".

Referindo um "acréscimo de custos de 84%", o PSD diz ter como "principal preocupação" o "modelo de funcionamento e programação do espaço".

Os social-democratas recordam que, "num dos muitos anúncios do executivo de Rui Moreira relativos ao Cinema Batalha, era feita uma previsão de cerca de 550 mil euros anuais para manutenção e recursos humanos".

"Sendo conservadores, poderemos acrescentar a estes custos fixos, os custos com a programação do espaço e, facilmente, atingimos um milhão de euros anuais para funcionamento do Batalha", avisam.

Para o PSD, "o investimento e os custos futuros de funcionamento que a autarquia vai assumir, exigem, desde já, uma plena e profunda articulação da visão daquilo que deve ser o Novo Batalha com a Fundação de Serralves, gestora da futura Casa do Cinema Manoel de Oliveira (espaço a inaugurar ainda em 2019)".

A concelhia defende que, além da "articulação com Serralves", um "trabalho conjunto com o Cineclube, o Porto Post Doc, o Fantasporto, ou com o reaberto Cinema Trindade, entre outros parceiros e instituições da cidade".

Para o PSD, tal "não limita a possibilidade de criação de novas soluções programáticas mas é fator absolutamente crítico para garantir mais diversidade, mais massa crítica e, acima de tudo, mais sustentabilidade".

"O PSD do Porto não tem relativamente ao investimento no Cinema Batalha uma visão excessivamente economicista. É um edifício emblemático da cidade, com valor patrimonial e [constitui] uma parte da história do Porto. Estamos hoje, como estivemos em 2017, favoráveis à reabilitação do edifício e à sua devolução aos portuenses", observam.

Publicado na terça-feira no Diário da República, o anúncio da "empreitada de obras públicas" lançada pela Câmara do Porto através da empresa municipal Go Porto para o 'Batalha' fixa em 21 dias o prazo para a apresentação das propostas.

O equipamento, construído na década de 1940 e classificado como Monumento de Interesse Público em 2012 está encerrado desde 2011.

Em 2017, a autarquia decidiu arrendar o edifício privado por 25 anos e uma renda mensal de 10 mil euros, anunciando a intenção de o transformar numa Casa do Cinema e atribuindo o projeto de recuperação aos arquitetos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez.

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