Prova de aferição na EB1 de Carlos Alberto, Porto, realizou-se, apesar da greve

A greve dos professores não provocou qualquer perturbação no funcionamento da EB1 de Carlos Alberto, na Baixa do Porto, onde hoje se realizou a prova de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade.

Professores e alunos iam chegando à hora marcada para um dia normal de aulas. A alegria com que a assistente Domítila dava as boas-vindas contagiava e acalmava os alunos do 2.º ano de escolaridade, mais preocupados com a prova de matemática.

Aos oito anos, Filipa Alexandra não escondia que se sentia desconfortável porque "as contas de dividir são difíceis".

Em declarações à Lusa, a mãe desta aluna confessou que a sua filha "estava tão nervosa, que dormiu mal e nem conseguiu tomar o pequeno-almoço. Assim que começou a comer foi vomitar".

A greve de hoje dos professores não causou "nenhuma preocupação" a esta mãe, porque sabia que "nesta escola, não é costume fazerem greve".

Reconhece que é um direito dos professores, mas discorda que o dia escolhido tenha sido o de provas e exames.

Na Escola de Carlos Alberto estavam inscritos 19 alunos para a prova de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade.

À chegada, Emilly Negrini, de sete anos e nacionalidade brasileira, confessou à Lusa que não sabia muito bem qual era a prova que ia realizar.

"Não sei muito bem, mas deve ser Matemática", disse, afirmando ser esta a sua disciplina preferida.

Emilly sonha ser cabeleireira, porque gosta de "mexer em cabelos".

Teresa Afonso acompanhou a neta Beatriz, que gosta de Estudo do Meio e acha difícil "algumas contas", como as de multiplicar. Disse que para se preparar para a prova de hoje estudou a tabuada.

A sua avó confessou que a neta estava hoje "mais calminha" do que quando realizou a prova de aferição de Português.

A greve dos professores foi convocada pelas principais estruturas sindicais de docentes, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), afeta à CGTP-In, e a Federação Nacional da Educação, afeta à UGT.

Os sindicatos decidiram avançar com a greve, após sucessivas reuniões inconclusivas com o Ministério da Educação, inclusive na véspera da paralisação, apresentando como reivindicações a abertura de concursos de vinculação extraordinária para docentes contratados, um regime especial de aposentação, o descongelamento de carreiras e uma redefinição dos horários de trabalho.

O Ministério da Educação assegura estarem reunidas as condições para que os exames nacionais e as provas de aferição se realizem dentro da "necessária normalidade" com a fixação dos serviços mínimos.

Hoje realizam-se as provas de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade do ensino básico e exames nacionais do 11.º ano às disciplinas de Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes.

Nos exames do ensino secundário de hoje estão inscritos mais de 76 mil alunos.

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