Projeto de voluntariado envolve 2.000 jovens portugueses e estende-se a África

A Associação Juvenil Transformers, sediada no Porto, envolve desde 2010 dois mil jovens num projeto de voluntariado em que os protagonistas usam as suas capacidades para ajudar a melhorar as comunidades em que se inserem.

Inicialmente designado por Projeto Transformers - e Movimento Transformers (MT) a partir de 2015 -, o conceito do antigo nadador João Brites, que se socorreu da sua paixão pelo 'break dance' para cativar os miúdos de bairro em Palmela, vai em breve chegar a 23 escolas do país, disse à agência Lusa a vice-presidente da associação, Inês Alexandre.

Perspetiva-se ainda que seja levado a África, mais concretamente a São Tomé e Príncipe, em 2018, depois experiências pontuais no Montenegro e na Itália, acrescentou.

Num movimento onde "não há notas, nem faltas, nem chumbos", os alunos aprendem e transformam a partir daquilo que mais gostam, num espaço que pode ser uma "escola normal, um pátio, uma garagem, um lar de acolhimento, um hospital, uma empresa, uma fábrica, até uma prisão!", lê-se no 'site' www.movimentotransformers.org.

Nas suas declarações à Lusa, Inês Alexandre referiu que este projeto de empreendedorismo social visa conseguir, até 2020, "colocar o voluntariado em Portugal em 50% da população, percentagem que era de 15% em 2014, segundo o Instituto Nacional de Estatística", depois de ter crescido "fruto das parcerias com o Instituto Português do Desporto e Juventude e com a Fundação EDP".

Em 2015, através da criação das Escolas de Superpoderes, o movimento tornou-se num 'franchising' social, alargando a sua esfera de influência a várias cidades, evolução essa que vai permitir, por exemplo, que a partir de setembro passe a ter os primeiros dois funcionários remunerados, explicou a responsável.

A criação do projeto num município, "que pode custar até 1.200 euros", viabiliza a criação destas escolas, após o que, no terreno, é feito o recrutamento dos "mentores que, em contexto escolar, vão trabalhar os voluntários naquelas que são as suas capacidades", acrescentou Inês Alexandre.

Segundo a responsável, desde 2010 o MT já formou 200 mentores em áreas como as artes, desporto, ciência e tecnologia e deu a 2.000 jovens, desde o Ensino Básico a Ensino Superior, a oportunidade de aprender uma atividade e com isso ajudar a transformar a comunidade onde está inserido.

Deste envolvimento resultaram "51 ações de jovens para transformar a sua comunidade e 30 intercâmbios entre jovens de diferentes comunidades".

Uma nova parceria com a Área Metropolitana do Porto vai permitir a partir de setembro a abertura de escolas de superpoderes nos 17 concelhos que abrange passando a estar em 23 cidades portuguesas.

E com 90% dos mentores que participaram nestas escolas a prosseguirem no voluntariado, o MT prevê em 2018 e 2019 "fazer um estudo sobre este impacto", sendo o retorno ('payback' em inglês, como preferem designar) outra das preocupações do movimento.

"Em 2012, num bairro na Amadora, foram esses miúdos que conseguiram com o nosso apoio, a primeira recolha nacional de medula óssea de indivíduos de raça negra", relatou Inês Alexandre.

Recém-chegada de São Tomé a Príncipe onde, acompanhada da presidente Joana Moreira reuniu com o ministro do Desporto e da Juventude Marcelino Sanches, a responsável revelou uma proposta de parceria para trabalhar com os jovens em 2018.

"A nossa ideia, depois de lá termos estados pela primeira vez em 2015 e percebido a urgência de levar o nosso movimento para lá, é trabalhar com os miúdos que durante o verão ficam ao abandono no arquipélago", explicou.

Do projeto apresentado ao governante consta também "formação sobre empreendedorismo local", estando previsto voltarem lá em março de 2018 para depois arrancarem com o projeto em julho do mesmo ano.

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