Presidente da CCDR do Norte diz sentir-se de "mão atadas" por ser nomeado e não eleito

Braga, 18 jun 2019 (Lusa) - O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte admitiu hoje que se sente de "mãos atadas no sentido relativo do termo", explicando que o facto ser nomeado e não eleito é "limitativo q.b. [quanto baste]".

Em declarações à Lusa, em Braga, à margem de um seminário sobre a regionalização, promovido pela Comissão Independente para a Descentralização, Fernando Freire de Sousa reafirmou ser um "regionalista convicto", mas "não fazer questão" da existência de um referendo para o efeito.

O responsável da CCDR do Norte mostrou-se ainda contrário, embora sem grande contestação, a que o processo de regionalização avance numa "geometria variável" e não ao mesmo tempo no país, como defendem alguns autarcas.

Quando questionado sobre se se sente mais limitado por ocupar aquele cargo por nomeação e não por eleição, respondeu: "Não tenho nenhuma dúvida, mas teria de dizer que alguém que seja eleito para um lugar que é o que eu ocupo, como 'presidente' de um governo regional do norte, será alguém que não eu".

A este propósito, deixou claro que não se irá candidatar na eventualidade de este cargo, com a regionalização, se tornar eletivo.

Sobre a forma de desempenhar o cargo e sobre as decisões que pode tomar, Fernando Freire de Sousa admitiu ter menos espaço de manobra do que o que desejava: "Não sinto as mãos atadas no sentido absoluto do termo, sinto no sentido relativo do termo e esse sentido relativo em alguns dossiês, matérias é limitativo q.b.".

O dirigente explicou que "não é uma limitação total" e que desempenha as suas funções de forma livre: "Alguém com a minha idade e história de vida profissional não estaria a desempenhar o cargo que estou se não sentisse que pudesse fazer algumas coisas e fazer a diferença, mas acho que poderia fazer mais a diferença alguém que estivesse com outra legitimação no cargo".

Quanto ao referendo pela regionalização, que tem sido pedido por alguns autarcas a norte, como Ricardo Rio (Braga), Paulo Cunha (Vila Nova de Famalicão), Rui Moreira (Porto) ou Luísa Alves (Caminha), o presidente da CCDR do Norte já não se mostrou tão recetivo.

"A forma interessa-me menos do que o conteúdo. Eu acho que não sou um particular adepto de referendos em países como o nosso, com as nossas características, mas se tiver de ser por referendo, seja, seja de alguma maneira", defendeu Fernando Freire de Sousa.

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