Portugal reforça apoio a Cabo Verde na área do ambiente

Portugal vai reforçar este ano o apoio a Cabo Verde na área ambiental disponibilizando cerca de um milhão de euros para a continuidade dos projetos de resíduos, segurança das barragens e apoio técnico no setor da água.

A informação foi avançada hoje, na cidade da Praia, pelo ministro do Ambiente de Portugal, Pedro Matos Fernandes, no final de uma visita de dois dias a Cabo Verde, que incluiu deslocações às ilhas do Sal, Fogo e Santiago.

"Para 2018, a verba atribuída a Cabo Verde, no contexto do Fundo Ambiental, é de aproximadamente um milhão de euros" para projetos como a continuação do roteiro dos resíduos, do plano de segurança das barragens, dos planos de albufeiras e de assistência técnica às Águas e Santiago e outras empresas de águas, disse Matos Fernandes.

O ministro português falava aos jornalistas à saída de uma audiência com o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, e imediatamente antes de visitar a mini-ETAR do Palmarejo, inaugurada em janeiro e cofinanciada pelo Fundo do Ambiente e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

A estrutura, que trata, para uso na rega, parte dos efluentes da zona, nomeadamente líquidos provenientes de esgotos, indústrias e redes pluviais, foi um dos projetos emblemáticos da cooperação ambiental portuguesa em 2017.

"A ETAR do Palmarejo é o exemplo mais tangível daquilo que foi a cooperação no ano passado através do Fundo Ambiental", disse o ministro.

Sublinhou igualmente o apoio de Portugal às candidaturas das ilhas do Fogo e Maio à classificação como Reservas da Biosfera da UNESCO, hoje apresentadas numa sessão na ilha do Fogo.

O ministro português lembrou que Portugal apoiou a estruturação das candidaturas e prometeu desenvolver esforços diplomáticos para, uma vez entregues, "incentivar a uma rápida apreciação" por parte da UNESCO.

"Faço um balanço extremamente positivo do que fizemos no ano passado. A expectativa era de, através do Fundo Ambiental, colaborarmos em projetos de cerca de meio milhão de euros durante 2017. Cumpriram-se todos e, por isso, a duplicação das verbas para o ano de 2018", afirmou.

Durante a deslocação a Cabo Verde, Pedro Matos Fernandes, assinou também, na ilha do Sal, com a ministra das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Eunice Silva, um protocolo para a continuidade do apoio técnico ao programa de reabilitação dos bairros de barracas no Sal e Boavista.

"O facto de o dinheiro ter sido logo todo aplicado e da forma como foi é sinal do dinamismo e do compromisso de Cabo Verde com estas matérias", disse o ministro, mostrando-se confiante que este ano a cooperação será ainda melhor.

Por seu lado, o ministro do Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, destacou o "espírito de pragmatismo" da cooperação entre os dois países na área ambiental, mostrando-se satisfeito com a "duplicação dos recursos" disponibilizados por Portugal.

"Vamos fazer de tudo para que os recursos sejam muito bem aplicados no contexto de desenvolvimento de Cabo Verde", disse.

Sobre as candidaturas a Reserva da Biosfera das ilhas do Fogo e Maio, Gilberto Silva, disse que o "processo está bem adiantado", considerando que "há todas as condições" para que seja entregue ainda este ano.

Entre as áreas a beneficiar dos fundos disponibilizados por Portugal, Gilberto Silva sublinhou a gestão da água em ambiente de escassez.

Cabo Verde atravessa uma das piores secas das últimas décadas e algumas das barragens do país, nomeadamente a do Poilão, na ilha de Santiago, encontram-se sem água.

Questionado sobre se o Governo pretende aproveitar para fazer trabalhos de desassoreamento da barragem, uma necessidade de alguns anos, Gilberto Silva adiantou que o custo dos trabalhos está a ser avaliado, bem como a possibilidade de mobilizar recursos para o efeito.

"A prioridade é a mobilização da água para podermos mitigar toda a aflição que os agricultores têm neste momento. Isto tem de ser feito com alguma rapidez porque ainda faltam muitos meses para o novo período de chuvas", disse.

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