Portugal atento à hipótese de expropriação de terrenos na África do Sul -- embaixador

O embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel Carvalho, disse hoje que o Governo português está "preocupado e atento" com a hipótese e termos dos procedimentos equacionados pelo executivo daquele país para expropriar terras sem compensação.

"Estamos atentos ao assunto, as autoridades dizem que o que venha a ser feito irá ser feito da maneira mais cautelosa, cuidadosa, mas é possível que, de facto, venha a haver algumas expropriações de terras", declarou à agência Lusa Manuel Carvalho, à margem de um encontro com empresários promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-sul-africana (CCILSA) em Cascais, no distrito de Lisboa.

O embaixador de Portugal na África do Sul apontou o problema da "extrema desigualdade na distribuição da propriedade e da terra na África do Sul" como algo que vem do passado e que "é necessário tratar de maneira sensata".

"As autoridades dizem que irão tratar da questão de maneira sensata e que não ponha em causa o direito de propriedade no seu conjunto o que não quer dizer - mas isso iremos ver como é que isso será feito - que nós percamos o assunto de vista", afirmou o embaixador.

O representante diplomático de Lisboa em Pretória, que chegou à África do Sul no final do ano passado depois de chefiar a Embaixada de Portugal em Riade, de 2013 a 2017, adiantou que "há sinais dados pelas autoridades" sul-africanas de que "o crescimento é através da economia de mercado".

"Este pano de fundo, que tem sido dito e reiterado pelas autoridades, leva-me a crer que o problema também da grave desigualdade da distribuição de riqueza será feito de forma que não ponha em causa este modelo base que é o crescimento da África do Sul que será feito pela via do mercado e respeitando o papel dos investidores e dos empresários", referiu.

Também o presidente do conselho executivo da CCILSA, Tim Vieira, alertou para a "necessidade de planear" a distribuição de terras na África do Sul.

"Tem de haver mudanças, distribuição de terras, mas tem de ser feito de uma maneira mais planeada, tem de ser feito de maneira a não se criar uma situação de perda para os dois lados. Acho que o nosso Governo [sul-africano] tem de agir com valores humanos, o mundo todo vai ter de agir, não podemos ter mais uma Venezuela, já falhámos aí", alertou Tim Vieira.

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