OPA/EDP: Luís Amado garante que há "alinhamento de interesses acionistas"

Lisboa, 24 abr 2019 (Lusa) - O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, Luís Amado, afirmou hoje que existe "alinhamento dos interesses acionistas" na elétrica, considerando que a China Three Gorges (CTG) é "um ator fundamental".

Em conferência de imprensa no final da assembleia geral de acionistas, Luís Amado afirmou existir "alinhamento dos interesses acionistas", considerando que "o facto de terem sido aprovados, por unanimidade, quer o orçamento para 2019 quer o plano estratégico, comprovam que há coesão acionista na defesa do futuro da empresa".

"Não posso deixar de destacar que a CTG é hoje considerada um ator fundamental e apraz-nos registar que o 'statement' que tornaram público [na segunda-feira] não deixaram de evidenciar o interesse em manter essa posição", declarou, referindo que, no contexto que o setor vive, "sem um grupo acionista forte é muito mais difícil ter condições de estabilidade para fazer face às dinâmicas de mercado".

Luís Amado admitiu que "uma oferta desencadeada por um acionista é ele mesmo um elemento de divergência e de desalinhamento de interesses", mas, neste caso, "há uma intenção clara manifestada pela CTG de manter a sua posição acionista de contribuir para o reforço da internacionalização da EDP e crescimento na área das renováveis".

Luís Amado destacou a "lisura muito grande de procedimentos e respeito pelos interesses do oferente [a CTG]".

Os acionistas da EDP chumbaram hoje a alteração dos estatutos para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital, pondo fim à OPA da CTG quase um ano depois de ter sido anunciada.

A proposta de desblindagem dos estatutos, que previa acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital, foi chumbada com 56,60% do capital representado.

A introdução deste ponto na assembleia anual de acionistas foi proposta pelo fundo Elliott, que detém 2,01% do capital da EDP, e prevê que, "caso a deliberação não obtenha uma maioria qualificada de dois terços dos acionistas presentes na assembleia-geral anual [...], o limite de voto permanecerá em vigor".

A OPA feita à EDP pela CTG, empresa estatal chinesa que já detém 23,27% da elétrica portuguesa, foi anunciada em maio de 2018 e previa uma contrapartida de 3,26 euros por ação.

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