Novo CD de Tito Paris "Mim ê bô" mostra um músico "mais experiente"

Treze temas, três dos quais gravados com Bana, Boss AC e Zeca Baleiro, integram o novo CD de Tito Paris, "Mim ê Bô", um disco de um artista "mais experiente" que sai para o mercado na sexta-feira.

"Mim ê bô", expressão crioula que significa "eu sou tu", é, segundo Tito Paris, um disco que surge ao fim de alguns anos sem gravar, apesar dos muitos concertos que tem dado pelo mundo fora e que foi beber o título a uma expressão que há uns tempos ouviu de um fã, explicou o músico à agência Lusa.

"Mim ê bô, eu sou teu fã, queria ele dizer. E eu achei esse título forte, e simples e bonito", observou.

Trata-se de um disco no qual o músico não abandona os ritmos que lhe correm nas veias desde jovem nem as mornas que foi aprimorando nos quase cinco anos em que tocou bateria e violão no conjunto de Bana.

E é com quem o convidou a ir viver para Portugal, tinha então 19 anos, que surge a cantar a morna "Resposta de segredo cu mar", de B. Leza.

Um tema gravado quando Tito Paris tinha pouco mais de 30 anos e que decidiu agora editar em homenagem ao homem que o iniciou na música profissional.

Apesar de ser um disco com o qual Tito Paris diz estar convicto não dececionar os seus fãs, "Mim ê bô" é um trabalho "um pouco diferente" dos que já gravou.

"É um disco em que tenho mais clássico, em que tenho cordas, tenho acordeão", refere.

E sublinha: "Vê-se que é um disco à Tito Paris, mas é um disco com outra sonoridade, com uma sonoridade diferente", com um Tito "mais experiente".

A coladeira e o funaná também estão presentes neste trabalho, este último numa versão com orquestra - "Kêl li ka tá fazedo".

Um funaná em que Tito Paris substituiu a gaita por orquestra "para marcar uma diferença", para que "não ficasse igual aos outros" e porque gosta "muito" de orquestra.

Em "Fado triste" o músico fala de Cabo Verde, da saudade da sua terra natal, dos objetos que adornavam o seu quarto no Mindelo, mas fala também de Lisboa, cidade para onde foi viver com 19 anos, a convite de Bana.

Os ritmos da coladeira e da morna estão também patentes neste álbum em temas como o que dá nome ao álbum, "Mim ê bô, e "Mindel d´Novas".

Porque a morna, a coladeira, o funaná e todos os ritmos de Cabo Verde lhe correm nas veias, diz Tito Paris.

Editado que está um novo disco a solo após um interregno de 15 anos - o último trabalho de originais foi "Guilhermina" (2002) - Tito Paris espera voltar a andar "pelo mundo todo" como tem feito até aqui.

"Nós, os artistas, gostamos de viajar, de cantar para povos diferentes", porque os músicos são "alimentados por várias almas, almas bonitas e boas, de povos diferentes, de cultura diferente", observa.

Estados Unidos, França, Bélgica, Holanda, Cabo Verde, Angola e Rússia são alguns dos países onde o músico irá atuar.

Quanto a Portugal, Tito Paris conta dar dois concertos "mais para o final do ano".

"Em salas emblemáticas, sem que ainda esteja definido onde vai ser", concluiu.

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