Museu de Soares dos Reis coloca coleção "em diálogo" com a Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo, no Brasil, vai abrir no dia 24 de junho a exposição "Coleções em Diálogo: Museu Nacional de Soares dos Reis e Pinacoteca de São Paulo", onde se vão juntar obras dos dois espaços.

Até 02 de outubro, vão estar "em diálogo" 93 peças provenientes da coleção do mais antigo museu público de arte português com 14 da Pinacoteca de São Paulo, numa mostra "que pretende explorar a construção de uma arte nacional em Portugal e no Brasil -- tema que mobilizou artistas, instituições e interessados pelas belas artes ao longo do século XIX", de acordo com a página da instituição brasileira.

A diretora do Museu Nacional de Soares dos Reis, Maria João Vasconcelos, disse à agência Lusa que se trata da primeira grande exposição da coleção do museu no estrangeiro, o que permitiu expor no Palácio dos Carrancas várias peças das reservas que habitualmente se encontram fora do olhar dos visitantes.

"Ao longo do trabalho de preparação da representação da nossa coleção, em quatro núcleos que se articulam com a exposição permanente da pintura dos séculos XIX e XX na Pinacoteca, foi sendo mais evidente a urgência desta articulação entre as instituições que trabalham assuntos e tratam de testemunhos de pessoas que tantos cruzamentos tiveram nas suas vidas. A par do interesse pelas produções dos nossos artistas, é fascinante perceber as influências decisivas que as ligações entre os dois países e os contactos com o panorama artístico europeu tiveram na definição dos seus percursos", pode ler-se no texto da diretora do museu para a exposição que partiu da iniciativa do Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lourenço.

A curadoria é repartida entre a Pinacoteca e o Soares dos Reis, escrevendo a curadora Fernanda Pitta, do lado de São Paulo, que "a partir da questão central 'como o meio cultural português preocupou-se em identificar ou fazer surgir uma arte própria, inscrita na tradição europeia e ocidental, mas dotada de uma singularidade específica' a exposição indaga acerca do lugar da representação da paisagem, dos tipos, dos costumes e do cotidiano nesse processo de construção, investigando também como esses temas e interesses impactam a formação dos artistas", num processo que "é bastante similar ao que ocorreu no Brasil".

Maria João Vasconcelos recorda que "em muitos momentos da visita ao Museu, surgem aspetos que remetem para o Brasil", como por exemplo: "A propósito de joias ou móveis portugueses do século XVIII, falamos nas pedras preciosas ou semi-preciosas e nas madeiras que trouxemos do Brasil. Ou ainda quando nos referimos à produção das fábricas de faiança do Porto e Gaia no século XIX, de que o Museu tem uma grande representação, muitas presentes também na arquitetura e nos Museus brasileiros. Num caso pela origem e noutro pelo destino, a relação é, mais uma vez, muito clara".

"Fica ainda para futuro, esperamos que próximo, o projeto de exposição a propósito da grande obra de [Cândido] Portinári, que o Museu possui desde 1955 e que foi para muitos alunos de Belas Artes um importante contributo para o conhecimento da arte contemporânea", lembrou a diretora da instituição, que realçou que na exposição em São Paulo -- para a qual não saíram quaisquer peças com a classificação de Tesouro Nacional -- vai estar representada a maioria dos melhores pintores da coleção, bem como o patrono do museu, António Soares dos Reis.

A exposição conta com o patrocínio da EDP e da Cisa Trading, e com apoio do Consulado Geral de Portugal e Experimenta Portugal 2017.

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