Museu das memórias do vale e da linha do Tua abre ao público dentro de meio ano

Uma viagem virtual pelas memórias da centenária linha e do vale do Tua estará disponível dentro de meio ano num museu incluído nas novas ofertas turísticas desta zona de Trás-os-Montes, divulgaram hoje os responsáveis.

A experiência será proporcionada pelo Centro Interpretativo do Vale Tua que está a ser instalado em dois antigos armazéns ferroviários da Estação do Tua e que representa um investimento superior a dois milhões de euros.

A promotora é a Agência de Desenvolvimento regional do Vale do Tua que anunciou hoje que a reabilitação dos edifícios está praticamente concluída e avançou que está prevista para sexta-feira a adjudicação do projeto de musealização para a instalação dos conteúdos.

Trata-se de mais uma medida de compensação da EDP decorrente da construção da barragem de Foz Tua e que visa a criação de um espaço de memória do que foi o vale do Tua antes e com a construção do empreendimento hidroelétrico.

A cerimónia de assinatura do contrato de adjudicação do projeto de Musealização do Centro Interpretativo do Vale do Tua decorre, na manhã de sexta-feira, na Casa do Cantoneiro, junto à Estação do Tua, no concelho de Carrazeda de Ansiães, que faz parte da área de influência da barragem, junto com Vila Flor, Mirandela, Alijó e Murça.

A agência de desenvolvimento é a entidade que gere os fundos disponibilizados pela EDP e os projetos como o centro interpretativo, que é apresentado como um "espaço de excelência para a preservação da memória do Vale do Tua, consagrando a Linha Ferroviária do Tua e promovendo a história deste território, a sua importância económica, social e cultural".

O projeto de musealização será entregue à empresa Cariátides, Lda., com um prazo de seis meses para a "conceção e implementação de soluções audiovisuais e conteúdos", num trabalho com custo a rondar os 240 mil euros.

A agência perspetiva que "no final de 2017 ou início de 2018, o equipamento possa abrir portas e ficar disponível para receber os visitantes".

O espaço ficará dividido em três áreas temáticas principais: O Vale, a Linha do Tua e a Barragem.

De acordo com as exigências do promotor será instalado um túnel em cortiça onde "é recriada uma cápsula temporal que direciona o visitante num percurso de milhares de anos, desde a dimensão geológica e natural do vale até ao seu povoamento".

No tema "A Linha do Tua", "a ideia é levar o visitante a recordar o caminho-de-ferro e compreender a realidade local, podendo envolver-se com o sentimento dos habitantes pela perda do acesso ao comboio".

"No tema "A Barragem" quer-se levar o visitante a compreender a barragem, independentemente do posicionamento de cada um".

O centro interpretativo receberá também exposições temporárias e faz parte de um conjunto de compensações em que se incluiu o Parque Natural Regional do Vale do Tua e o plano de mobilidade turística e quotidiana.

Os promotores apontam para o verão o início das viagens reais de barco na nova albufeira e de comboio no que restou da linha do Tua, depois de parte da ferrovia ter ficado submersa.

Este território recebe ainda o equivalente a três por cento da faturação anual com a produção de energia para sustentar os diferentes projetos de dinamização.

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