Manifestação contra centralismo enche ruas da cidade cabo-verdiana do Mindelo

Com a participação estimada em milhares, as ruas da cidade do Mindelo, São Vicente, encheram-se hoje de manifestantes contra o que consideram o "centralismo exacerbado" da capital cabo-verdiana, numa iniciativa que os organizadores prometem repetir.

A manifestação, que começou cerca das 10:00 locais (mais duas horas em Lisboa) na Praceta Estrela percorreu, de forma pacífica e sem incidentes, várias artérias da cidade e terminou cerca de uma hora depois na Praça D. Luiz, segundo relatos da imprensa local.

Fotos da manifestação publicadas nas redes sociais mostram várias ruas do Mindelo repletas de manifestantes, com a imprensa local a estimar a participação em milhares de manifestantes, ainda que sem dados oficiais.

"São Vicente é também 100% Cabo Verde", "São Vicente não desiste de Cabo Verde" e "A centralização do poder nada mais é que um instrumento estagnador da cidadania e do progresso. Basta" eram algumas das mensagens nos cartazes empunhados pelos manifestantes, que gritavam igualmente palavras de ordem como "Estamos fartos de promessas" e "Viva São Vicente".

Testemunhos recolhidos pela rádio Morabeza dão conta do descontentamento dos são-vicentinos pelo que consideram a concentração de investimentos na ilha de Santiago, a maior e mais populosa do país e onde se localiza a capital Praia.

O exemplo mais recente e que terá sido a "gota de água" na origem da manifestação foi a construção do novo campus da Universidade de Cabo Verde na cidade da Praia, sem prever uma extensão em São Vicente.

"Temos que investir também nas outras ilhas", defendeu Elton Lopes, de 26 anos, lamentando que os jovens de São Vicente sejam forçados a procurar trabalho na Praia.

O sindicalista António Lima, 59 anos, criticou o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, considerando que "governa apenas para a Praia".

"Esqueceu-se que já não é presidente de câmara, mas sim governa uma nação", disse, numa alusão ao passado de Ulisses Correia e Silva como autarca da capital.

A estudante Katelene Delgado reclamou, por seu lado, "melhores condições nas universidades".

Salvador Mascarenhas, mentor do movimento Sokols 2017 e promotor da iniciativa prometeu, no final da manifestação, mais luta, considerando que o povo não pode estar dependente dos partidos políticos.

"Vamos sair mais vezes se for preciso. São Vicente tem que ter mais autonomia. Não podemos ter uns mais iguais do que outros. Este é só o começo da ação cívica em Cabo Verde", disse em declarações à Rádio Morabeza.

Salvador Mascarenhas considerou que as pessoas devem ter voz e poder de decisão sobre o que "entendem ser melhor para as suas ilhas e para o país".

O organizador da manifestação defendeu que "é preciso trabalhar para um Cabo Verde equilibrado, justo, descentralizado e harmonioso, com oportunidades de emprego, educação e saúde para todos".

Cabo Verde assinala hoje 42 anos de independência.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG