Mais de uma dezena de feridos em manifestação em Atenas contra designação da Macedónia

Mais de uma dezena de pessoas ficaram feridas hoje, em Atenas, nos violentos ataques registados durante uma manifestação contra a ratificação do acordo que prevê a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte.

Segundo a polícia, dez dos feridos são agentes das forças de segurança.

Os confrontos eclodiram logo após o início da manifestação na Praça de Sintagma, em frente ao parlamento, quando um grupo de manifestantes tentou forçar o cordão policial e invadir o parlamento.

Segundo um porta-voz da polícia, os manifestantes atiraram pedras, garrafas, projéteis e 'cocktails' molotov contra os agentes.

As forças de segurança responderam com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento e pelo menos dois manifestantes tiveram que ser transferidos para hospitais, como confirmou uma fonte do serviço de ambulância.

Grupos de manifestantes violentos também atacaram uma equipa de televisão pública, feriram um operador de câmara e danificaram a câmara. Um fotojornalista ficou ferido na cara.

Tanto o principal partido da oposição, os conservadores Nova Democracia, como o partido neonazi Aurora Dourada argumentaram que por trás dos ataques estavam grupos de esquerda e forças "provocadoras" relacionadas ao Governo do Syriza.

O Governo grego disse em comunicado que as altercações foram perpetradas por seguidores da extrema-direita.

Após os primeiros incidentes, a violência continuou na rua comercial do centro de Atenas, cujas lojas estavam abertas hoje por ter iniciado o período de vendas de inverno.

Alguns grupos incendiaram contentores e objetos de madeira.

Cerca de 60 mil pessoas participaram na manifestação, segundo a polícia, e dez vezes mais, segundo os organizadores.

Em causa está o acordo que visa a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte, uma disputa que dura há 27 anos, desde que a Macedónia declarou independência da Jugoslávia. No entanto, os gregos estavam contra a nova designação, uma vez que têm uma região no norte chamada Macedónia.

O Governo grego remeteu no sábado ao parlamento o acordo sobre a alteração do nome da Macedónia, dando assim inicio ao processo.

Na segunda-feira, o parlamento grego vai reunir-se para estabelecer o calendário de sessões das comissões de Defesa e Assuntos Externos, encarregue de discutir o texto antes do debate final no plenário, previsto para o final da próxima semana.

Em 11 de janeiro, o parlamento da Macedónia alterou algumas emendas da Constituição, de modo a poder alterar o nome do país, deixando assim nas mãos da Grécia o último passo para a concretização do acordo de Prespa.

Este documento vai também permitir a possibilidade de entrada da Macedónia do Norte na Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e de início do processo de adesão à União Europeia.

Apesar de a grande maioria da oposição estar contra este documento e da coligação com os nacionalistas Gregos Independentes ter-se rompido na semana passada por esta questão, o Governo de Alexis Tsipras espera o apoio da maioria absoluta da câmara -- 151 deputados -, tal como conseguiu um voto de confiança na passada quarta-feira.

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