Zero participa em cimeira climática na Califórnia para mostrar trabalho feito em Portugal

A Zero é uma das centenas de organizações que participam na Cimeira Global de Ação Climática, que arranca hoje na Califórnia, com o objetivo de "divulgar o que está a ser feito" em Portugal.

Segundo o presidente da Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Francisco Ferreira, a organização não-governamental está a participar em eventos paralelos, além da delegação na cimeira, e tem em vista "dar a conhecer aquilo que se está a fazer em Portugal em termos de política climática", o que inclui as metas de neutralidade de carbono nos próximos trinta anos e o recorde na produção de energias renováveis atingido em março.

A presença da Zero, que faz parte da rede internacional de ação climática CAN -International, está relacionada com "as posições bastante ambiciosas" de Portugal no combate às alterações climáticas, disse Francisco Ferreira, referindo que o país, apesar de pequeno, "está a fazer a transição energética" e a trabalhar ativamente em políticas climáticas que são vistas como "benchmark".

"A verdade é que Portugal é dos países, à escala mundial, com maior ambição para 2050", afirmou o presidente da Zero, apesar de ressalvar "algumas fragilidades" na estratégia nacional, como os planos de procurar petróleo e gás natural.

Outra questão que estará em foco é o papel de Lisboa como Capital Verde Europeia em 2020, onde interessa "ver até que ponto poderão surgir atividades" que possam ser propostas nesse âmbito. O objetivo é "levar um conjunto de contactos, de parcerias, de exemplos que possam ser multiplicados em Portugal", explicou.

O responsável salienta também a troca de experiências e conhecimento entre autarquias de todo o mundo e as questões relacionadas com "o uso da biomassa, a dimensão dos fogos florestais como consequência do clima e a floresta como retenção de carbono", referindo que a Califórnia "tem similaridades grandes com Portugal" neste problema.

A cimeira começa na semana em que o governador da Califórnia, Jerry Brown, assinou legislação para atingir 100% de neutralidade carbónica em 2045.

O evento "também serve para mostrar que as ações de muitos Estados estão a ter o seu impacto", afirmou Francisco Ferreira, numa altura em que a administração de Donald Trump está a levar o governo federal para a direção oposta e a reverter medidas de proteção do anterior governo.

"Há um significado próprio em ela ser feita aqui", acrescentou o presidente da Zero.

A Cimeira Global de Ação Climática decorre até sexta-feira e tem entre os oradores o ex-vice Presidente dos Estados Unidos Al Gore, a líder Democrata da Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, o ator Alec Baldwin, o CEO da Unilever, Paul Polman, o 'mayor' de New York, Bill De Blasio, e o ator e vice administrador da Conservation International, Harrison Ford.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.