Zé Perdigão com novo disco "Nha Terra" em crioulo cabo-verdiano e dedicado a Cabo Verde

Redação, 17 abr 2019 (Lusa) -- O cantor Zé Perdigão está de volta aos discos com "Nha Terra", um álbum exclusivamente cantado em crioulo cabo-verdiano e totalmente dedicado a Cabo Verde, onde reside há quatro anos.

"Vim para Cabo Verde e de repente fez-se-me luz, e fiquei aqui a residir, e decidi gravar este CD, que é produzido Kalu Alves, que trabalhou com Cesário Évora, e Rov Leonaro, que vive no arquipélago há 10 anos, com músicos cabo-verdianos, e palavras de Cabo Verde, de Epifânio Tavares ou Dino D'Santiago, entre outros", disse à agência Lusa Zé Perdigão.

"Nha Terra" sucede a "Sons Ibéricos", editado há cinco anos, e tem "um alinhamento simbólico de 10 canções, uma por cada ilha que compõe o arquipélago cabo-verdiano, sem que qualquer correspondência a cada uma delas", explicou.

"Cabo Verde Encanto", de George Tavares, abre o disco, que o cantor vai apresentar em digressão, em junho, no Brasil.

"Este é um álbum da lusofonia, feito por mim, natural de Guimarães, músicos cabo-verdianos, e que está a ser apresentado em Portugal e será em seguida no Brasil, numa grande digressão", salientou o cantor.

"Este foi um álbum pensado na raiz cultural de Cabo Verde, e inteiramente dedicado a Cabo Verde", disse o músico, referindo que a sua "conceção é de morna, coladeira e batuco, cinco compositores cabo-verdianos, e gravado nos estúdios XL, na Cidade da Praia".

O músico afirmou-se "um apaixonado há anos pela morna, que é o fado dos cabo-verdianos, e uma fã de muitas das suas vozes como Ildo Lobo, Bana, Cesária Évora, Celina Pereira e tantos, tantos outros".

"Tanto a morna como o fado são músicas de portos, assim como o tango, para mim as culturas cruzaram-se nas partidas e chegadas, e Cabo Verde foi um entreposto marítimo entre a Europa, as Américas e África", acrescentou.

Zé Perdigão canta morna, coladeira e batuco, mas ainda não se "atreveu" a cantar funaná, "que é totalmente diferente, mas que é uma música que se tornou moda", disse o músico que citou o êxito com este ritmo do músico Dino D'Santiago, vencedor de três prémios Play, este ano, e a banda Ferro Gaita.

A escolha dos temas inéditos, explicou, teve como fio condutor "a força da juventude em Cabo Verde, são todos até aos 30 anos, e, por outro lado são intrinsecamente ligados à história e à cultura do povo cabo-verdiano".

"Triste Notícia", de Epifânio Tavares e Fany, "Santa", de Dino D'Santiago, "Nha Terra", de George Tavares, "Flor di Polan", de Sílvia Brito, e "Nós Encontru", de Zerui de Pina, são alguns dos temas do álbum, editado em Portugal pela Ovação, que festeja 30 anos de existência.

Zé Perdigão gravou o CD com os músicos Kaku Alves (guitarras e baixo), Adão Brito e Vanda Pereira (baixo), Khaly Angel (teclados), Rob Leonardo (bateria e percussão).