Wall Street encerra sem rumo entre detenção de dirigente da Hawei e taxa de juro

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem rumo, depois de um início de sessão caótico, entre a detenção da filha do fundador da Huawei, Meng Wanzhou, e informações sobre a redução do ritmo de subida das taxas de juro.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o Dow Jones Industrial Average perdeu 0,32%, para os 24.947,67 pontos, e o alargado S&P500 cedeu 0,15%, para os 2.695,95 pontos.

Já o tecnológico Nasdaq avançou 0,42%, para as 7.188,26 unidades.

Mas a sessão começou com uma forte queda bolsista, com o Dow Jones a chegar a estar a desvalorizar 3,14%, no seguimento da detenção de Meng Wanzhou, que também é a diretora financeira do grupo Huawei, no Canadá, em consequência de um mandado de detenção dos Estados Unidos da América (EUA).

O The Wall Street Journal tinha informado no início deste ano que as autoridades dos EUA estavam a investigar se a Huawei tinha violado sanções dirigidas ao Irão.

Este caso de justiça ameaça fazer "desaparecer" uma potencial resolução rápida da disputa comercial entre a Chine e os EUA, segundo Art Hogan, da B. Riley FBF, se bem que não tenha ocorrido qualquer "intervenção política" a propósito desta detenção, garantiu o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

Mas os índices recuperaram nitidamente pouco antes do fecho, graças a um artigo divulgado no sítio do Wall Street Journal na internet, no qual se afirmava que a Reserva Federal, que tem declarado que está mais dependente de informação económica nas suas escolhas de subidas de taxas, poderia diminuir o ritmo destes aumentos em 2019.

"Depois da subida de taxas já prevista para dezembro, ela [Reserva Federal] pode preparar-se para comunicar uma pausa", previu Alan Skrainka, da Cornerstone Wealth Management.

Esta notícia alegrou os investidores, porque as subidas das taxas de juro pela Reserva Federal têm por consequência encarecer o custo do crédito e diminuir as perspetivas da economia dos EUA.

Mas a informação foi insuficiente para tornar os investidores otimistas em todos os mercados, uma vez que a atualidade sobre a disputa comercial sino-norte-americana, a subsequente queda da Boeing, que desvalorizou (3,09%), e a nova baixa das cotações do petróleo, impuseram uma cobertura de chumbo a Wall Street.

A queda do preço do barril em Nova Iorque provocou uma descida das empresas do setor, como a Chevron, que recuou 1,13%, a ExxonMobil, que perdeu 1,31%, ou a Schlumberger, que baixou 4,08%.

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