Visita à China de membros do partido do Presidente brasileiro gera polémica

Membros do Partido Social Liberal (PSL), do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, viajaram para a China para tomarem conhecimento sobre tecnologias de reconhecimento facial, o que está a provocar polémica nas redes sociais.

A controvérsia prende-se com as relações do Estado brasileiro com a China, o primeiro parceiro comercial do país sul-americano, acusado durante a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro de querer "comprar o Brasil".

A polémica surgiu no seio da extrema-direita brasileira.

Daniel Silveira, membro do PSL, publicou na noite de quinta-feira um vídeo no qual diz ter sido convidado pelo Governo chinês, a par de outros membros parlamentares, para se familiarizar com técnicas de reconhecimento facial, com o objetivo de as "aplicar no Brasil".

Olavo de Carvalho, um escritor brasileiro que vive exilado nos Estados Unidos da América, apresentado como o guru de Jair Bolsonaro, e que é responsável pela indicação de dois ministros do atual Governo, foi o primeiro a tecer críticas à viagem à China.

Segundo a agência France-Presse, o escritor descreveu os membros parlamentares em causa como "camponeses", "palhaços", "semianalfabetos" e "idiotas".

"Vocês estão a cometer uma loucura, vocês estão a entregar o Brasil para a China (...). O executivo vai deixar essas pessoas entregarem o Brasil para o sistema chinês dessa maneira?" questionou Olava de Carvalho.

Também os apoiantes do Presidente brasileiro usaram a internet para criticar a viagem dos deputados ao país comunista.

Daniel Silveira tentou explicar que os deputados queriam ver "melhorias" nas relações com países ideologicamente distantes do Brasil, incluindo com a Coreia do Norte, descrita como um "regime de porcaria comunista" pelo atual Governo brasileiro.

"Nós, camponeses, temos muito a aprender com eles [os chineses]", escreveu no Twitter a deputada Soraya Thronicke, também do PSL, acompanhando a mensagem de texto com uma fotografia da delegação brasileira com os anfitriões chineses.

A deputada Carla Zambelli, também do PSL, disse, por sua vez, que tudo se tratou de uma "grande falta de comunicação".

Citado pela imprensa, a deputada negou que a missão tivesse como intenção a assinatura de um acordo para a aquisição da tecnologia chinesa de reconhecimento facial pelo Brasil.

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