Vinhais com mais de meio milhão de euros para novos negócios a partir do fumeiro

O concelho transmontano de Vinhais tem mais de meio milhão de euros para investir em novos negócios e apoio ao setor agroalimentar, através de um projeto que tem como impulso o emblemático fumeiro e o porco bísaro.

O projeto Apoio ao Empreendedorismo do Setor Agroalimentar em Terras de Trás-os-Montes foi apresentado hoje publicamente com a garantia de 534 mil euros de financiamento a fundo perdido aprovados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Uma das metas definidas é apoiar e conseguir, nos dois anos de duração do projeto, "20 novos empreendedores", mas também apoiar os atuais empresários na melhoria da apresentação e venda dos produtos e a criação de novos produtos a partir dos tradicionais, como explicou Carla Alves, coordenadora do projeto.

A promotora é a Associação Nacional de Criadores de Suínos da Raça Bísara, a responsável pelo processo iniciado há mais de 20 anos de proteção da raça que garante a carne que distingue o fumeiro regional de Vinhais, com todos os produtos certificados.

O fumeiro afirmou-se como dos mais conhecidos produtos de Vinhais e tem projetado outros na área do setor agroalimentar, onde contudo, os responsáveis notam algumas lacunas e deficiências que pretendem colmatar com o novo projeto.

"Temos muitos empresários na região que são pequeninos empresários. Alguns têm, por exemplo, a dificuldade de ter uma rotulagem (obrigatória) do seu produto (com) o valor nutricional do alimento, ou do ter glúten ou não", exemplificou.

Da mesma forma, o projeto pretende também dar apoio no acondicionamento e embalamento, contando com o apoio da investigação científica através dos parceiros Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e Instituto Politécnico de Bragança.

As duas instituições vão ajudar a fazer um catálogo nutricional dos produtos, estudos dos cortes das carnes e a pensar novos produtos que podem passar por fazer chegar ao mercado "sopas de alheira, chouriça fresca para assar, salsicha de porco bísaro ou até um hambúrguer".

Entre outras ações previstas estão as bolsas de ideia a atribuir a jovens com prémios de 700 euros mensais, durante seis meses, para darem início ao seu projeto, e a criação de um gabinete de apoio ao empreendedorismo, além da promoção e venda de produtos em plataformas digitais.

Uma mais-valia para divulgar o que produz a nível nacional é como encara este projeto o jovem Ricardo Diegues que apostou na produção de cuscos, que a mãe anda sabe fazer da forma genuína à base de farinha de trigo e que outrora eram, nesta zona, os substitutos do arroz e da massa.

Com o apoio científico do projeto, Ricardo espera poder conhecer melhor as "características não conhecidas, como o valor energético, se dá para fazer sem glúten ou com outras farinhas, por exemplo a de castanha".

Para um dos maiores produtores de fumeiro da região, Alberto Fernandes, este projeto "é válido", porém entende que a prioridade no setor é apostar na matéria-prima", ou seja no aumento da produção de porco da raça bísara.

"Não há matéria-prima para a própria região, é aí que se tem de apostar", afirmou, enfatizando que "o que a região precisa efetivamente é da criação de animais".

O problema é também reconhecido por Carla Alves, que defende que se resolve com outro projeto que está à espera desde fevereiro do aval da Direção Regional de Agricultura.

Trata-se da formalização de um agrupamento de produtores e criação de uma empresa (a AgroBísaro) considerado "absolutamente essencial para agrupar os pequenos produtos, juntando a oferta e colocando depois no mercado", como acontece já com outras raças, como a bovina Mirandesa.

O projeto prevê majorações para os pequenos produtores e a facilitação do escoamento da carne, que atualmente é uma dificuldade e leva alguns a desistirem da produção, como indicou.

Com os incentivos e nova organização, Carla Alves acredita que começarão a aumentar a produção e, consequentemente, o efetivo que ronda atualmente as seis mil porcas reprodutoras.

A coordenadora do projeto acredita que em breve estarão reunidas as condições para o agrupamento ser "uma realidade em 2018".

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