Venezuela: Presidente do parlamento diz que não sucumbirá a pressões

O presidente do parlamento venezuelano, no qual a oposição tem a maioria, disse hoje que não sucumbirá a pressões e que seguirá uma rota já estabelecida para assumir as competências da presidência do país.

"Vamos exercer as nossas competências e fazer o que devemos fazer sem sucumbir a elementos ou pressões, com uma rota que já estabelecemos", disse Juan Guaidó numa entrevista a um jornal digital.

Segundo Juan Guaidó, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está a usurpar a presidência do país desde 10 de janeiro, quando tomou posse para um segundo mandato, considerando que a solução para a crise política passa por convocar novas eleições.

"Hoje, Maduro usa a faixa presidencial, parte dos símbolos do poder e isso não o faz Presidente, porque roubou uma eleição, manipulou o Estado de direito, desmontou a Constituição e agora o parlamento exercerá a suas competências", declarou.

Para o presidente da Assembleia Nacional, habitualmente designada de parlamento, a única saída política da Venezuela, perante a "ditadura" e para restabelecer a democracia, é com pressão popular, com a união de todos, inclusive das Forças Armadas e da comunidade internacional.

Juan Guaidó enviou uma mensagem ao "chavismo inconformado" com a gestão de Nicolás Maduro, para que acompanhe a luta do parlamento.

"Venham para cá [para o lado da oposição], Maduro não protege ninguém. Hoje, por seguir uma ordem, estão presos os funcionários [dos serviços secretos] que me sequestraram. Para esse chavismo desiludido aqui há uma alternativa, uma rota que é a defesa da Constituição", salientou.

Em 13 de janeiro, Juan Guaidó esteve detido durante quase uma hora, pelos serviços secretos, quanto estava a caminho de uma reunião fora de Caracas, anunciou a sua mulher.

Um vídeo divulgado nas redes sociais dá conta do momento em que funcionários, armados, intercetaram a viatura do deputado.

Três dias antes, Nicolás Maduro tomou posse, perante o Supremo Tribunal de Justiça, como Presidente da Venezuela para o período 2019-2025.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Maduro foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, com 6.248.864 votos (67,84%).

Um dia depois das eleições, a oposição venezuelana questionou os resultados, alegando irregularidades e o não respeito pelos tratados de direitos humanos ou pela Constituição da Venezuela.

Vários países manifestaram a intenção de não reconhecer o novo mandato de Nicolás Maduro.

No mesmo dia da tomada de posse, o parlamento venezuelano declarou-se em emergência para restituir o "fio constitucional", denunciando que há uma "usurpação da Presidência" do país.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.