Venezuela: Outubro registou 1.418 protestos para exigir serviços básicos e salários justos

Os venezuelanos realizaram 1.418 protestos durante o passado mês de outubro, principalmente para exigir serviços básicos e salários justos, segundo dados divulgados hoje pelo Observatório Venezuelano de Conflituosidade Social (OVCS).

Segundo o Observatório, entre janeiro e outubro de 2018 registaram-se 10.773 protestos, "o maior número registado durante a gestão do Presidente Nicolás Maduro".

"Em 10 meses ultrapassou-se o índice das duas grandes ondas de protestos na Venezuela, nos anos de 2014 e 2017, durante os quais se documentaram 9.286 e 9.787 manifestações, respetivamente", lê-se no relatório "Conflituosidade Social na Venezuela durante outubro de 2018".

Segundo o OVCS, "relativamente a outubro de 2017, a conflituosidade na Venezuela aumentou 683%, em 12 meses".

O relatório explica que no passado mês de outubro se registaram em média 47 protestos diários.

"Continuam a aumentar os protestos sociais, por cima dos políticos", prossegue o documento, precisando que 1.265 atos visaram exigir direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, "o que representa 89% do total de protestos registados".

Por outro lado, segundo o OVCS, são cada vez mais frequentes os "protestos combinados", um "fenómeno no qual se exigem distintos direitos simultaneamente" e que atingiu 26% (364) do total de protestos documentados.

Além de exigir serviços básicos como distribuição de gás doméstico, eletricidade e água potável, os venezuelanos protestaram para que sejam respeitados os contratos coletivos de vários setores do país, enquanto os professores se queixaram de baixos salários e insuficiência de recursos.

Houve ainda manifestações contra aumentos dos preços dos produtos alimentares e por demoras na distribuição, pelo Estado, de produtos básicos a preços subsidiados.

Denúncias de torturas e tratos cruéis, inumanos ou degradantes contra dirigentes políticos da oposição, foram ainda motivos de protestos, nos quais participaram trabalhadores, grémios e membros da sociedade civil.

A maioria dos protestos registou-se no Estado de Bolívar (209), seguindo-se os de Táchira (201), Trujillo (141), Lara (132) e o Distrito Capital (123).

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