Venezuela: Familiares de vereador morto pedem à ONU e à OEA investigação independente

Os familiares do vereador Fernando Albán pediram hoje à ONU, à Organização de Estados Americanos e ao parlamento, onde a oposição venezuelana tem maioria, que ajudem na obtenção de uma "investigação independente" para apurar as causas da morte do autarca.

O pedido foi feito através de um comunicado, naquele que é o primeiro pronunciamento público da família, que recusa a tese oficial do Ministério Público, segundo a qual Fernando Albán suicidou-se ao atirar-se do 10.º andar do edifício dos Serviços Bolivarianos de Inteligência (serviços secretos), em Caracas, capital do país.

"Exigimos que seja realizada uma investigação independente, na qual participem peritos designados pelos familiares, para estabelecer se estamos na presença de uma execução extrajudicial", explica o comunicado, divulgado pelo partido opositor Primeiro Justiça, do qual Fernando Albán fazia parte.

O documento sublinha que o vereador "estava sob custódia do Estado e era um conhecido opositor" do Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e que o "alegado suicídio teve lugar em circunstâncias inexplicáveis em que tudo encaixa nas especificidades supostas de uma morte potencialmente ilícita".

No dia 08 de outubro, o ministro venezuelano do Interior e da Justiça, Nestor Reverol, anunciou que Fernando Albán cometeu suicídio quando ia ser transferido para o tribunal, referindo ainda que o opositor estava "envolvido em atos de desestabilização dirigidos do estrangeiro".

O partido opositor venezuelano Primeiro Justiça reagiu ao anúncio e assegurou que o político foi "assassinado às mãos do regime de Nicolás Maduro", recusando aceitar a tese do suicídio.

"Com profunda dor e sede de justiça dirigimo-nos ao povo da Venezuela, especialmente aos justiceiros de todo o país, para informar que o vereador Fernando Albán morreu assassinado às mãos do regime de Nicolás Maduro no SEBIN (serviços secretos) da Plaza Venezuela", disse o partido num breve comunicado.

Entretanto, o Ministério Público reafirmou que o vereador, que era acusado de estar envolvido no frustrado atentado de agosto último contra Nicolás Maduro, cometeu suicídio.

De acordo com o procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte, Tarek William Saab, o vereador "pediu para ir à casa de banho e, uma vez lá, atirou-se do décimo andar" da sede dos serviços de informação venezuelanos.

O procurador-geral anunciou ainda que haverá uma "investigação completa".

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