Venezuela: Embaixadores da União Europeia reuniram-se com presidente do parlamento

Um grupo de embaixadores da União Europeia (UE) reuniu-se no sábado com o presidente da Assembleia Nacional (AN, parlamento), onde a oposição detém a maioria.

Segundo fontes parlamentares, durante o encontro, Juan Guaidó e os diplomatas discutiram questões relativas à crise política e económica da Venezuela.

Entretanto, através da rede social Twitter, a AN divulgou fotografias onde se vê Juan Guaidó e outros parlamentares acompanhados de diplomatas, entre eles a embaixadora da UE em Caracas, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa.

"Os embaixadores reiteraram o comunicado que a União Europeia emitiu no passado dia 10 de janeiro", lê-se numa publicação da AN no twitter, numa alusão à posição da EU de reconhecer o parlamento venezuelano como poder legítimo.

No mesmo dia em que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi empossado para um novo mandato de seis anos, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, anunciou que a UE está pronta a reagir "decisões e ações que comprometam as instituições e princípios democráticos, o Estado de direito e os direitos humanos" na Venezuela.

Mogherini sublinhou que a UE "lamentava profundamente" que o seu apelo à realização de eleições livres e justas tenha sido ignorado e Nicolás Maduro iniciasse "um novo mandato resultante de eleições não democráticas".

"Tal só afasta ainda mais a possibilidade de uma solução constitucional negociada, enquanto a situação política, económica e social no país se continua a agravar e o impacto da crise na estabilidade da região se avoluma", sustentou a Alta Representante da UE para a Política Externa.

Na sexta-feira, também o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou, através do Twitter, que teve um encontro produtivo com embaixadores da União Europeia.

"Discutimos questões de interesse comum e abrimos canais de diálogo e entendimento, no âmbito do respeito e da autodeterminação dos povos", afirmou Maduro, numa mensagem publicada naquele rede social.

A televisão estatal VTV mostrou imagens de Maduro a receber a embaixadora da UE em Caracas, Isabel Brilhante, e representantes de vários países europeus, incluindo Portugal, no Palácio de Miraflores, sede do Executivo.

A 10 de janeiro último, Nicolás Maduro tomou posse, perante o Supremo Tribunal de Justiça, como Presidente da Venezuela para o período 2019-2025.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Maduro foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, com 6.248.864 votos (67,84%).

Um dia depois das eleições, a oposição venezuelana questionou os resultados, alegando irregularidades e a falta de respeito pelos tratados de direitos humanos ou pela Constituição da Venezuela.

Vários países manifestaram a intenção de não reconhecer o novo mandato de Nicolás Maduro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.