União Europeia e França anunciam 1,3 mil ME para ajuda ao desenvolvimento no Sahel

A União Europeia e a França anunciaram hoje em Nouakchott um total de 1,3 mil milhões de euros de financiamentos para projetos de desenvolvimento nos países do Sahel (G5), destinados à prevenção do terrorismo.

A contribuição da União Europeia atinge 800 milhões de euros, indicou o comissário europeu para a Cooperação internacional e o Desenvolvimento, Neven Mimaca, na conferência sobre o balanço de fundos, que decorre na capital da Mauritânia.

"A França (...) investirá 500 milhões em projetos prioritários" no Sahel, adiantou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian.

A União Europeia e a França assumem, assim, a maior fatia do financiamento de projetos de desenvolvimento, destinados à prevenção do 'jihadismo', nos países da organização G5 Sahel (composta por Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Chade).

"Estou feliz por poder anunciar que a União Europeia vai apoiar, no âmbito do Programa de Investimentos Prioritários (PIP), com 800 milhões de euros. Este valor compreende o montante anunciado também hoje de 122 milhões de euros de dinheiro fresco", declarou na capital mauritânia o comissário europeu Neven Mimica.

A França, por seu lado, vai juntar mais 220 milhões de euros de financiamento aos 280 milhões de euros já disponíveis, precisou uma fonte diplomática francesa.

Desta forma, "a França (...) investirá 500 milhões em prol de prioridades" do G5 Sahel, sublinhou o chefe da diplomacia francês.

"Uma parcela destina-se a projetos já em curso (...). A outra parte será atribuída, de forma acelerada, nos próximos dois anos, para permitir dar resposta às prioridades", adiantou M. Le Drian.

Os cinco países do Sahel explicaram na reunião da Mauritânia quais os objetivos de financiamento esperados para os seus projetos, avaliados em 1,9 mil milhões de euros, para os quais dispunham de uma fatia de 13%.

Com 1,3 mil milhões de euros acumulados, a França e a UE foram os principais financiadores dos projetos de desenvolvimento apresentados hoje pelo presidente do G5 Sahel em Nouakchott, no seio desta organização regional.

Estes 40 projetos destinam-se, em particular, às regiões fronteiriças onde os 'jihadistas' tiram partido das falhas dos estados.

Com a construção de escolas, centros de saúde, acesso à água, os governos esperam evitar que as populações desesperadas e suscetíveis neste momento de cederem aos apelos 'jihadistas' o façam.

"A pobreza, o desemprego, o analfabetismo, os sentimentos de injustiça, de impotência e de ausência de perspetivas, o laxismo perante o tráfico de droga e a incapacidade dos estados para assumirem plenamente as suas responsabilidades de segurança no exercício do poder público geram condições ótimas para facilitar o domínio de terroristas e de extremistas e permite-lhes prosperar e atrair células potencialmente recetivas ao seu discurso ideológico ou religioso", declarou o presidente da Mauritânia, Mohammed Ould Abdel Aziz.

"Só ao Estado cabe reforçar a segurança, insuficiente para resolver definitivamente a questão da violência extremista", sublinhou.

"O nosso sonho é avançar vigorosamente com o segundo pilar estratégico e decisivo da nossa ação comum, o desenvolvimento económico e social do G5 Sahel", realçou o presidente em exercício da organização, o nigeriano Mamadu Issufu.

Os grupos 'jihadistas', em grande parte anulados no norte do Mali pela intervenção militar lançada pela França em 2013, ganharam agora terreno, em particular, no centro do país, e o fenómeno estendeu-se aos vizinhos Burkina Faso e ao Níger.

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