"Uma Faixa, Uma Rota" permite enfrentar riscos suscitados por guerras comerciais - Putin

Pequim, 26 abr 2019 (Lusa) - O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que a iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota" é uma "boa oportunidade" para enfrentar "riscos" suscitados por países que querem lançar guerras comerciais e "ignoram" as normas estabelecidas pela ONU.

Putin considerou ainda que o gigantesco projeto internacional de infraestruturas lançado pela China permite "abordar de forma comum desafios" como "baixo nível de desenvolvimento e falta de acesso a tecnologia" que impulsionam a "imigração, escalada de conflitos regionais e guerras comerciais".

A ascensão ao poder de Donald Trump nos EUA ditou o início de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

Além de exigir uma balança comercial mais equilibrada, Trump quer que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes atores em atividades de alto valor agregado, como inteligência artificial ou robótica, ameaçando o domínio norte-americano nestas áreas.

Putin falava na abertura do Segundo Fórum "Uma Faixa, Uma Rota", que decorre na capital chinesa, e conta com a participação do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Este fórum é "uma boa oportunidade para conhecer as políticas que a China está a adotar e a maneira como se deseja relacionar com os outros países", acrescentou o líder russo.

"Consideramos que a iniciativa tem o objetivo de unir diferentes partes da Eurásia, o que está de acordo com a nossa política de conectividade", observou.

"Na Eurásia, todos queremos um desenvolvimento pacífico e mais comércio, e a Rússia está pronta para trabalhar com outros parceiros da nossa região para criar uma comunidade económica, com um mercado único e livre circulação de capitais e pessoas", acrescentou.

Putin revelou ainda que vai reunir hoje com o homólogo chinês, Xi Jinping, para "abordar todas estas questões" e "como articular as nossas políticas", porque "a China é o nosso parceiro natural na região".

"A Eurásia e as Novas Rotas da Seda terão o mesmo objetivo: garantir a paz, desenvolvimento e unidade, mas também lançar as bases para a inovação e proteger a nossa cultura e tradições", disse.

O Presidente chinês, Xi Jinping, inaugurou hoje oficialmente o Segundo Fórum "Uma Faixa, Uma Rota", onde participam 37 chefes de Estado ou de Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa vai participar entre hoje e 27 de abril, e realizar uma visita de Estado, na segunda-feira. No mesmo dia, segue para Xangai, a "capital" económica do país. A visita termina a 1 de maio, em Macau.

Críticos da iniciativa chinesa têm alertado que os planos chineses subverterão a atual ordem internacional e alargarão a esfera de influência de Pequim - os países aderentes ficarão encurralados pelo investimento chinês, tornando-se Estados vassalos, permitindo à China exportar o seu excesso de capacidade industrial ou poluição.

A grande visão geoeconómica da China inclui uma malha ferroviária e autoestradas a ligar a região oeste do país à Europa e Oceano Índico, cruzando Rússia e Ásia Central, e uma rede de portos em África e no Mediterrâneo, que reforçarão as ligações marítimas das prósperas cidades do litoral chinês.

Pelo caminho, estão a ser erguidos aeroportos, centrais elétricas e zonas de comércio livre, visando dinamizar o comércio e indústria em regiões pouco integradas na economia global.

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