Últimos presos da cadeia de Peniche celebram no sábado os 45 anos da libertação

Peniche, Leiria, 21 abr (Lusa)- José Pedro Soares estava entre os 50 presos da cadeia da Fortaleza de Peniche, aquando do 25 de Abril de 1974, que foram libertados dois dias depois, uma data que é celebrada no próximo sábado, passados 45 anos.

"Noutros dias, os que saíam da cadeia só tinham a família e uns amigos à espera e, naquele dia, tínhamos uma multidão que abriu um corredor, batia palmas e cantava as cantigas da libertação da altura", recorda José Pedro Soares, enquanto visita as obras a decorrer na fortaleza, para instalar o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade.

Na manhã do 25 de Abril de 1974, lembra, um grupo de presos, do qual fez parte, juntou-se na sala de convívio da cadeia para ver televisão, e estranhou o facto de o ecrã estar "escuro e ouvir-se apenas música sinfónica".

Poucas horas depois, chamaram todos os companheiros e assistiram pela televisão à leitura de um documento do Movimento das Forças Armadas, que "dava já indicação da tomada de vários pontos" no país pelos militares, assim como a reportagens ao longo do dia.

"Percebemos que tinha havido um levantamento militar popular", concluiu.

As notícias levaram os presos a falar com os guardas e com a direção da cadeia. "Inicialmente estavam atrapalhados, começaram a receber-nos com uma simpatia extraordinária e a dizer que eram funcionários públicos e que tinham servido uns, mas serviriam outros".

Nesse mesmo dia, uma guarnição militar vinda de Viseu, do Regimento de Infantaria N.º 14, tentou tomar a Fortaleza de Peniche, contou, mas "a cadeia não se rendeu e só no outro dia, um outro grupo de militares de Lisboa tratou da sua libertação".

José Pedro Soares recorda à Lusa que todos os presos disseram que "ou saíam todos ou não saía ninguém".

Numa altura em que as condições prisionais já tinham melhorado, e quando faltava menos de um ano para cumprir a pena de três e meio de prisão a que fora condenado, José Pedro Soares e os restantes presos foram, por fim, libertados, às primeiras horas do dia 27 de abril, após a libertação dos presos de Caxias.

José Pedro foi para casa, onde "praticamente todas as pessoas da terra" lhe bateram à porta para o saudar.

Durante o dia 27 de abril de 1974, as primeiras horas de liberdade foram dedicadas a dar comícios nas oficinas de material aeronáutico em Alverca, onde trabalhava, antes de ter sido detido, com mais cinco mil trabalhadores.

"Passei por todas as secções da empresa e, sempre que passava, parava tudo e tinha de fazer um comício. A alegria era imensa", lembra à Lusa.

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