Última oportunidade para impedir conflito total entre Israel e palestinianos - ONU

Gaza, 13 mai 2019 (Lusa) - O enviado da ONU para o Médio Oriente, Nikolay Mladenov, disse hoje que há uma "última oportunidade" de impedir um conflito total entre Israel e os militantes palestinianos de Gaza.

Mladenov disse que o "risco de guerra permanece iminente", na semana a seguir ao cessar-fogo entre Israel e os governantes do Hamas em Gaza, terminando o pior confronto entre as duas partes desde a guerra de 2014.

A mais recente vaga de violência matou 25 palestinianos, incluindo 10 militantes, e quatro civis israelitas.

Mladenov, que inaugurou uma central de energia solar para um hospital de Gaza, disse que as partes agora devem "consolidar os entendimentos" do cessar-fogo.

O acordo, mediado pelo Egito, Qatar e Nações Unidas, promete deixar entrar combustível e ajuda humanitária e facilitar a movimentação de pessoas no território da Faixa de Gaza, bloqueado por Israel.

Uma injeção de dinheiro do Qatar, que é destinada a milhares de famílias necessitadas como parte do entendimento do cessar-fogo, chegou hoje.

O bloqueio terrestre, aéreo e marítimo imposto por Israel a Gaza desde 2007 está a gerar um "colapso social" no território palestiniano que poderia agravar a instabilidade na região, advertiu hoje o diretor das operações em Gaza da Agência da ONU para os refugiados da palestina (UNRWA, sigla em inglês), Matthias Schmale, numa conferência de imprensa em Genebra.

"No ano e meio em que estive lá, já vi uma mudança no humor das pessoas em relação à depressão. Não há perspetivas com 53% das pessoas desempregadas", disse o responsável da UNRWA.

Segundo Schmale, cerca de 1,3 milhões de pessoas (dos dois milhões que vivem na Faixa de Gaza) vivem abaixo da linha da pobreza e dependem diretamente da ajuda alimentar da UNRWA e do Programa Alimentar Mundial (PAM).

O representante da UNRWA acrescentou que a má situação económica e social está a causar um aumento no consumo de drogas, prostituição e suicídio em Gaza.

"Gaza não é uma crise humanitária causada por um tsunami, um terremoto ou uma guerra, mas é o resultado de um fracasso político ao encontrar uma solução para 12 anos de bloqueio", afirmou Schmale.

A diretora da UNRWA para a Cisjordânia, Gwyn Lewis, que participou na mesma conferência de imprensa, disse também que nesse território tem havido um aumento dos problemas económicos e sociais, que se juntaram as incursões constantes das forças israelenses nos 90 campos de refugiados palestinianos que a ONU administra naquela região.

"Temos cerca de dois ataques a cada semana e isso tem um grande impacto sobre a população civil" em alguns campos onde cerca de 280.000 refugiados palestinianos vivem, disse a responsável pelas operações no território da UNRWA, que denunciou a prisão de cerca de 550 menores nessas operações.

Gwyn Lewis lamentou, por outro lado, que os problemas financeiros da UNRWA tenham obrigado a encerrar alguns programas educacionais e de saúde na Cisjordânia, além da demissão de cerca de 150 funcionários.

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