UGT critica "desabafo irresponsável" da ministra da Saúde sobre direito à greve

O líder da UGT, Carlos Silva, considerou hoje que a ministra da Saúde teve um "desabafo irresponsável" sobre o direito à greve que é "inaceitável do ponto de vista da democracia" e inesperado de um Governo de esquerda.

O secretário-geral da central sindical falava aos jornalistas após uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, onde o tema da conflitualidade social foi abordado e com o qual o Chefe de Estado se manifestou "preocupado", disse.

"Demos nota ao senhor Presidente da República que aquilo que temos vindo a assistir é uma degradação consecutiva dos serviços públicos, mas devido a uma inabilidade da parte do Governo em cortar todas as linhas do diálogo social", afirmou Carlos Silva.

"Uma das questões que nos preocupa é talvez um desabafo irresponsável da senhora ministra da Saúde [Marta Temido] quando vem com uma simples frase em relação à greve [dos enfermeiros] afirmar que eventualmente a greve poderá ser um abuso quando ela é um preceito e um princípio constitucional", sublinhou o líder da UGT.

Carlos Silva defendeu que a greve "é um direito dos sindicatos", frisando que "a ditadura em Portugal desapareceu em 1974".

Na quarta-feira, em entrevista à RTP, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que equaciona usar meios jurídicos face à nova greve dos enfermeiros, referindo que esta paralisação levanta "um aspeto muito sério sobre questões éticas e deontológicas".

O dirigente sindical criticou aquilo que considera ser a falta de negociação do Governo com os sindicatos de vários setores, entre os quais a saúde, a educação ou a justiça, salientando que a greve "é uma forma que os sindicatos têm de defender os seus trabalhadores".

Apesar de admitir ter "afinidades com o partido do poder", Carlos Silva afirmou que tal não o inibe de "combater de uma forma incontornável uma posição que a senhora ministra revelou que é inaceitável do ponto de vista da democracia".

"O Governo é que tem de decidir o que quer fazer", reforçou o líder da UGT, dirigindo uma pergunta ao executivo de António Costa: "Quer afrontar o movimento sindical todo porquê?".

Carlos Silva acusou ainda o Governo de pretender "lançar a responsabilidade e o ónus" dos problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para os sindicatos, afirmando que "não é por causa da greve cirúrgica dos enfermeiros que há centenas de camas com doentes nos corredores dos hospitais".

"A pergunta que continuamos a fazer é o que é que o Governo quer? Manter o clima de conflitualidade social, quer desgastar os sindicatos? Quer que os sindicatos desistam da sua luta? E vai negociar com quem? Com os coletes amarelos? Com os movimentos do Facebook? Do Twitter? Com os movimentos inorgânicos?", avançou o líder da UGT.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.